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O governo irlandês apresentou um pedido formal de desculpas à família de Brian Stack durante uma sessão do Dáil na quarta‑feira. Stack, chefe dos agentes prisionais na Penitenciária de Portlaoise, foi baleado nas costas do pescoço ao sair de uma luta de boxe em 1983; ficou paralítico e morreu 18 meses depois, aos 49 anos.
A família — Sheila Stack e os filhos Austin, Kieran e Oliver — acompanhou a leitura do pedido de desculpas feito pelo Taoiseach Micheál Martin em nome do Estado.
O pedido de desculpas destacou falhas nas investigações conduzidas pela An Garda Síochána. Segundo o governo, houve três inquéritos separados sobre a morte de Stack e, em 2007, a Garda Serious Crime Review Team foi acionada para rever o caso, resultando em mais de 200 recomendações relacionadas às investigações.
O Taoiseach listou perdas e omissões de material probatório, incluindo o desaparecimento de um mapa do local do crime, de um capacete de motocicleta encontrado próximo à cena e de outras provas recolhidas; também apontou falta de registo de entrevistas com colegas, presos, familiares e amigos de Stack. Em declarações citadas pela família, Austin Stack afirmou que a equipe de revisão encontrou 194 “erros e omissões” no primeiro inquérito.
Martin disse ser “claramente e totalmente inaceitável” que material potencialmente relevante para a investigação já não possa ser localizado e formalizou o pedido de desculpas à família por essas falhas.
Após o pedido de desculpas, os filhos de Stack deixaram o plenário quando deputados do Sinn Féin falaram durante a sessão. Austin Stack pediu que a líder do partido, Mary Lou McDonald, “aborde as nossas preocupações” sobre o homicídio do pai e criticou a ausência de McDonald da Câmara.
McDonald, segundo a BBC, saudou o pedido de desculpas e afirmou que o IRA já havia reconhecido responsabilidade e expressado arrependimento pela morte de Brian Stack em declarações feitas mais de uma década antes.
A ministra irlandesa das Relações Exteriores, Helen McEntee, afirmou que o Provisional IRA “são responsáveis” pelo ataque e disse que o Estado falhou na investigação, pedindo desculpas à família pelas falhas e pelo sofrimento causado.
O secretário de Estado do Norte da Irlanda no Reino Unido, Sir Chris Bryant, disse na Câmara dos Comuns que acolheu calorosamente o pedido de desculpas e considerou apropriado que Dublin o fizesse.
Em 2013, o IRA admitiu a responsabilidade pela morte de Brian Stack, após uma longa campanha da família; naquele momento, Gerry Adams expressou “regret” à família. Em 2019, a família recebeu um pedido de desculpas do então comissário da Garda, Drew Harris. Em 2023, a polícia informou aos familiares que o arquivo do caso, que estava com o Director of Public Prosecutions, foi devolvido à polícia para nova investigação, conforme relato citado pela BBC.
O caso é também apontado como o único em que um agente prisional do Estado foi morto por violência relacionada aos Troubles, segundo a cobertura consultada.
Fonte: BBC.