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Médico que montou ‘apartamento’ em hospital do PR segue recebendo salário três meses após afastamento

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Afastado em 8 de julho, Rodrigo Felipe Amparado consta com pagamentos mensais no Portal da Transparência; Prefeitura diz cumprir decisão judicial

O médico Rodrigo Felipe Amparado permanece recebendo a remuneração do cargo mesmo após ter sido afastado das funções em 8 de julho, um mês depois de ser preso preventivamente, conforme registros do Portal da Transparência de Itaúna do Sul consultados pelo G1.

Amparado é réu em processo que responde por ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. A Prefeitura afirma que o pagamento decorre de determinação judicial e cita entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a manutenção de vencimentos até decisão definitiva.

O caso e as denúncias

Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a investigação começou após relatos de servidores municipais de apropriação de uma sala — originalmente um centro cirúrgico desativado — transformada por Amparado em um quarto com cama, guarda-roupas e televisão. Ainda segundo o MP-PR, o médico teria ameaçado funcionários que contrariavam suas decisões.

A promotora de Justiça Marina Campos Corrêa disse à RPC que “todo mundo tinha realmente muito medo dele”. Em depoimentos, o MP apontou ameaças graves, como a intenção de torturar a filha de uma servidora e matar o marido da secretária de Saúde, além de investigação por tortura contra criança e adolescente.

Remuneração e justificativa da Prefeitura

O Portal da Transparência de Itaúna do Sul registra que Amparado recebeu remuneração normalmente em todos os meses de 2026. Como exemplo, em setembro ele teve vencimento bruto de R$ 10.717,03 e recebeu R$ 2.967,40 após descontos, segundo os dados citados pelo G1.

Em nota entregue ao G1, a Prefeitura de Itaúna do Sul informou que o médico permanece afastado por tempo indeterminado e que a remuneração é paga em cumprimento a determinação judicial, citando entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal de que afastamento cautelar em razão de processo criminal não autoriza a supressão dos vencimentos antes de decisão definitiva.

Medidas judiciais e administrativas

Amparado foi preso preventivamente em 17 de junho; o Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen) comunicou ao G1 que o regime fechado foi substituído por tornozeleira eletrônica em 4 de julho. A defesa informou ao G1 que “todas as determinações judiciais relativas ao caso estão sendo devidamente cumpridas”. O processo tramita sob segredo de Justiça.

A Prefeitura também informou que há um processo administrativo em andamento para apurar a atuação do médico, que ainda não foi concluído.

Situação em Nova Londrina

Rodrigo Felipe Amparado também atende no Hospital Municipal de Nova Londrina. Não há, nas informações disponíveis, registro de irregularidades ou crimes nessa unidade; lá ele consta como afastado por atestado médico e permanece recebendo salário, segundo os dados citados pelo G1.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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