Newsletter Subscribe
Enter your email address below and subscribe to our newsletter
Enter your email address below and subscribe to our newsletter







Um inquérito civil público do Ministério Público do Paraná (MPPR) está investigando possíveis irregularidades no processo eleitoral do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná (CEDCA/PR) referente ao biênio 2025-2027.
Por meio da Recomendação Administrativa nº 01/2025, o MPPR solicita a suspensão e o reinício de todo o processo eleitoral. A recomendação foi expedida pela 3ª Promotoria do Adolescente em Conflito com a Lei.
O Ministério Público afirma que foram identificadas irregularidades no processo, como falta de comprovação de registro das entidades nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de indícios de falsificação de autodeclarações e do envio de várias habilitações por um mesmo remetente eletrônico, o que compromete a transparência e a igualdade do processo.
O documento também aponta que o processo eleitoral foi coordenado apenas por representantes das secretarias, sem a participação da sociedade civil – contrariando o previsto em lei.
Após a manifestação do MPPR, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) também se posicionou, em 13 de janeiro de 2026, apoiando a Recomendação Administrativa.
Conforme nota do Conanda, além das irregularidades apontadas pelo Ministério, o processo teve situações de conflito de interesses, “com entidades candidatas atuando também na habilitação de eleitoras, o que afronta os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.”
“O Conanda, em coerência com seu papel normativo e fiscalizador, entende que a manutenção do processo eleitoral do CEDCA/PR, diante das irregularidades apontadas, violaria o princípio da legalidade e colocaria em risco a credibilidade do Sistema de Garantias de Direitos. Assim, manifesta-se pelo cancelamento do processo eleitoral vigente e pela realização de novo pleito, com observância rigorosa aos seguintes parâmetros:
I – Suspensão imediata da eleição e prorrogação excepcional do mandato da atual composição da sociedade civil até a conclusão do novo processo;
II – Reformulação do edital eleitoral, exigindo registro válido nos Conselhos Municipais, reconhecimento das assinaturas ou uso de assinatura digital qualificada;
III – Constituição de comissão eleitoral com participação exclusiva e efetiva da sociedade civil e acompanhamento do Ministério Público;
IV – Análise individualizada e documental de todas as entidades inscritas, garantindo que atuem, de fato, com crianças e adolescentes.”
O CEDCA/PR é um órgão de parceria entre governo e sociedade civil, responsável por formular e garantir políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes paranaenses. Também atua na defesa de direitos, gerencia o Fundo Estadual para a Infância e Adolescência (FIA/PR) e monitora a aplicação de recursos em projetos.
O conselho é formado por 24 integrantes, sendo metade nomeada pelo Governo do Paraná e a outra metade representante da sociedade civil. Na eleição, têm direito a voto as Organizações da Sociedade Civil (OSC) que atuam na defesa e proteção dos direitos da criança e do adolescente.
Um dos pontos apresentados pelo MPPR foi justamente a ausência de comprovação do registro das OSCs votantes.
O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família (SEDEF). A reportagem da Tribuna tenta contato com a pasta e deixa o espaço aberto para futuras manifestações.