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o que fez Cid mudar de ideia e se candidatar?

o que fez Cid mudar de ideia e se candidatar?

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
CID Gomes, Elmano de Freitas e Júnior Mano estiveram com presidente Lula

A candidatura de Cid Gomes (PSB-CE), anunciada na última terça-feira, coloca fim a uma discussão que dura quase dois anos. Durante esse período, Cid afirmou, em mais de uma oportunidade, não querer ser candidato a nada em 2026. O senador se diz realizado por ter tido mais do que sonhava – que era ser prefeito de Sobral (CE) -, demonstra cansaço do cenário político atual e vê que é hora abrir espaço para novas lideranças. Mas o que fez Cid mudar de ideia?

Bom, adianto: não há qualquer vontade de vingança ou desejo de derrotar o irmão Ciro Gomes (PSDB-CE). A construção foi feita de forma coletiva, com a participação de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, governador e até do presidente da República.

Até o ano passado, Cid estava certo da não candidatura, mas o cenário começa a mudar, mesmo, em 18 de maio deste ano, primeiro dia da Marcha dos Prefeitos. A data é posterior ao anúncio da candidatura de Ciro ao governo do estado e eu cheguei a perguntar se a proximidade entre o irmão e Capitão Wagner (União-CE) era combustível para uma possível disputa eleitoral. Cid sorriu. “Não me movo por picuinha, eu não me movo por miudices. O que me movimenta é meu espírito público, a vontade que eu tenho de servir e a vontade de agradecer ao povo cearense pelas inúmeras oportunidades que eles já me deram”, afirmou já pedindo licença para receber os prefeitos e vereadores.

Nos três dias de evento, Cid recebeu mais de 60 representantes dos municípios e houve unanimidade: todos que lá entraram pediram que Cid se candidatasse à reeleição. Os motivos são os mais diversos, mas o principal é a liderança do senador. Cid visita os municípios, evita crises políticas e aconselha os gestores a cada demanda feita. Além disso, tem moral para comandar o grupo e fazer acordos com outros partidos.

A pressão aumentou

Em todas as conversas que Cid teve com os prefeitos, ele se mostrou aberto a concorrer, mas sempre fez a mesma ressalva. “Eu tenho um compromisso com o Junior Mano (PSB-CE) e vou defender a candidatura dele”, repetia o senador, que lembrava ter prometido a Mano que ele seria candidato ao Senado.

Ele, porém, ficou sensibilizado com o pedido dos prefeitos. A pressão aumentou, quando as bancadas de deputados estadual e federal, também de forma uníssona, reforçaram o desejo de tê-lo como candidato. Sem contar nas conversas com o senador Camilo Santana (PT-CE) e com o governador Elmano de Freitas (PT-CE), que sempre reforçaram que queriam contar com Cid na chapa. Contudo, faltava uma pessoa.

A reunião que selou a candidatura

Na sexta-feira da semana passada, Cid Gomes e Junior Mano sentaram para conversar. A reunião foi pedida pelo deputado, que, após ouvir deputados federais do partido e prefeitos que o apoiam, fez o penúltimo apelo. Saiu da boca de Mano a garantia de que os dois seguiriam juntos, mas que, atualmente, a candidatura de Cid era melhor para o grupo e para o estado.

Os dois, porém, tinham uma condição: queriam uma reunião com Lula e a garantia da participação do presidente da campanha. Lula deu a benção e garantiu que as eleições no Ceará são a prioridade dele no Nordeste. No fim das contas, Cid atendeu aos pedidos, mesmo inseguro das condições que vai encontrar na campanha.

Os receios de Cid

Algumas preocupações deixam Cid ressabiado para a campanha eleitoral deste ano. A primeira delas é a indústria de fake news, que ele classifica como pior defeito da oposição. Acordar todos os dias e ter que desmentir o que foi dito antes de debater projetos é algo que o senador considera desgastante.

Há também a preocupação com a saúde e com a idade. Cid tem 63 anos e evitou demonstrar felicidade com a indicação. “Eu fico preocupado porque isso não é nomeação, é a disposição de uma candidatura. Vamos gastar a sola do sapato, trabalhar, ouvir. Eu estou 8 anos mais velho do que na última eleição que eu participei como candidato. Sou sexagenário, não sou mais um garoto”, avaliou.

Teve tempo pra Copa

Depois da reunião com Lula, Cid foi ao Ministério da Fazenda com o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT-CE). Lá, articularam um investimento de R$ 750 milhões do Governo Federal na capital cearense . O valor será usado em obras estruturantes. Almoço, gabinete de Cid, tour pelo Senado, cafezinho e ‘partiu, Copa’. Cid, Evandro e Chagas Vieira (PDT-CE), que estava com a dupla, rumaram para o gabinete de Camilo no Senado Federal.

Os quatro se sentaram no sofá. “Já é o jogo?”, pergunta Cid sobre o que está passando na TV. “Vai começar às 16 horas”, responde Camilo. Era 15h55. Os quatro lá ficaram conversando e assistindo Espanha x França. O ex-ministro da Educação, porém, deixou o local 15 minutos depois do apito inicial. Foi para a reunião da bancada do PT. Cid, Evandro e Chagas só saíram quando acabou o primeiro tempo. Alcolumbre chamou os senadores para votar a Medida Provisória que altera o piso do frete de transportes terrestres no Brasil e a PEC da aposentadoria especial dos agentes de saúde.

Izolda Cela descarta estar na chapa majoritária

A ex-governadora Izolda Cela (PSB-CE) descartou qualquer possibilidade de figurar na chapa majoritária que vai tentar a reeleição. A coluna entrou em contato para saber se ela figura entre os nomes ventilados para preencher as lacunas faltantes – vice de Elmano e segunda vaga para o Senado – mas ela negou

“Como dizia minha avó, não tem fundamento”, afirmou a ex-governadora, que seguiu. “Vou continuar trabalhando para elegermos Lula presidente, Elmano governador e um Congresso Nacional melhor”, disse Izolda. Ela também descartou a possibilidade de concorrer à Câmara, e lembrou que a pré-candidata da família a Federal é Luísa Cela (PT-CE), filha de Izolda.

Recesso e esforço concentrado

Deputados e senadores entraram em recesso na última sexta-feira, e, por causa das eleições, o retorno foi adiado. Entre os meses de agosto e setembro, Câmara e Senado só vão funcionar por duas semanas: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A ideia é concentrar todas as pautas urgentes e de consenso que precisam ser votadas nessas datas e liberar os parlamentares para as campanhas eleitorais em todos os outros dias.

Segundo o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), os dias sem sessões não vão atrapalhar o funcionamento do parlamento brasileiro. “A Câmara adotará exatamente as mesmas datas do Senado, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico nesse período eleitoral”, declarou.

O recesso é, pelo sexto ano consecutivo, informal. A legislação brasileira autoriza que deputados e senadores descansem por 15 dias no meio do ano caso já tenham votado a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até 17 de julho, o que não ocorreu.

 



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Corinthia Mes

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