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Vereadores do Paraná são presos em operação contra jogos de azar

Vereadores do Paraná são presos em operação contra jogos de azar

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Uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) contra um grupo voltado à exploração de jogos de azar resultou na prisão de 61 pessoas em 27 cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás, entre esta terça-feira (07/04) e quarta-feira (08/04). A ação contou com apoio do Ministério Público do Paraná (MPPR).

Foram detidas as principais lideranças do esquema, além de pessoas que atuavam nos núcleos financeiro e operacional. Entre os presos preventivamente no estado paranaense estão dois vereadores: o presidente da Câmara de Cianorte, Victor Hugo Davanzo (Podemos), e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Concêncio Zaia (PSD). A polícia não detalhou os motivos das prisões dos parlamentares.

A investigação descobriu, após três anos de apurações iniciadas na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná, a fusão estratégica entre os dois maiores grupos de jogos ilegais do Brasil: um do Paraná e outro de Goiás. Operando de forma ordenada há mais de uma década, o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões. Eles controlavam 15 mil pontos de jogo do bicho e mantinham 21 sites de apostas ilegais, que foram removidos da internet durante a operação.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em contas bancárias do grupo, além do sequestro de um patrimônio de luxo que inclui 111 imóveis avaliados em R$ 32,9 milhões, 132 veículos que somam R$ 11 milhões e mais de cem cabeças de gado, avaliadas em R$ 43,9 milhões.

Nesta terça e quarta, a ação teve participação de mais de 330 policiais civis e três aeronaves. Foram 371 ordens judiciais, sendo 85 mandados de prisão preventiva, 102 mandados de busca e apreensão e 184 ordens judiciais de bloqueio de contas.

Vereadores presos preventivamente no Paraná

Em nota enviada à Tribuna do Paraná, João Liberati Junior e Claudiomar Andreazi, advogados do vereador Victor Hugo Davanço, afirmaram que conseguiram acessar o processo no fim da tarde desta quarta.

“Diante das informações obtidas com o acesso aos autos no que diz respeito ao nosso cliente, medidas judiciais urgentes serão tomadas para cessar a medida de prisão imposta. Embora respeitemos a decisão judicial, após análise nos autos não podemos concordar com a medida imposta e buscaremos a reversão de tal medida nos tribunais superiores”, diz nota.

A Câmara Municipal de Cianorte disse que não recebeu notificação oficial dos órgãos competentes. “Esta Casa Legislativa acompanha os desdobramentos do caso e manifesta confiança nas autoridades responsáveis pela apuração, bem como no respeito ao devido processo legal”.

Também procurada pela Tribuna do Paraná, a assessoria do vereador Marcelo Concêncio Zaia afirmou que ainda não possui informações sobre o conteúdo do processo. A Câmara Municipal de Goioerê disse que não foi notificada judicialmente.

Operação nacional contra jogos de azar aconteceu em cinco estados

A ação aconteceu nos seguintes locais:

  • Paraná: Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina, Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal, Apucarana e Alvorada do Sul
  • São Paulo: Praia Grande e São Paulo
  • Goiás: Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia
  • Santa Catarina: Caçador
  • Pará: Castanhal

Como funcionava o esquema criminoso

A sofisticação do esquema ia além das apostas. A organização mantinha uma empresa de tecnologia própria, onde técnicos desenvolviam plataformas digitais e softwares de controle financeiro usados por “bancas” em 14 estados.

Para lavar o dinheiro e ocultar a origem ilícita dos valores, o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada e “laranjas”, realizando milhares de operações financeiras sequenciais. O uso de fintechs e as chamadas “contas bolsões” era uma tática recorrente para apagar o rastro do dinheiro, integrando os lucros do jogo à economia formal com uma aparência de legalidade.

Segundo o delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, o grupo formou “um verdadeiro império financeiro, com alto poder aquisitivo”.

“Por meio dessa empresa foram desenvolvidas plataformas de exploração de jogos ilegais denominadas, por meio das quais ocorria a transmissão dos jogos ilícitos e se fazia o controle financeiro da exploração do jogo do bicho e outras modalidades de jogos. Esse sistema era utilizado em pelo menos 14 estados da federação, por dezenas de ‘bancas’ de jogo do bicho”, conclui o delegado.

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