Enter your email address below and subscribe to our newsletter

Lei da delação serviu para Mauro Cid. Por que não para Vorcaro?

Lei da delação serviu para Mauro Cid. Por que não para Vorcaro?

Share your love

O tenente-coronel Mauro Cid fechou sua delação premiada em setembro de 2023. Naquela época, o pedido do PT para revisar a lei da delação premiada já descansava nos escaninhos do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes há mais de dois anos. A solicitação do partido, feita pelos advogados Lenio Streck, André Trindade, Marco Aurélio de Carvalho e Fabiano Santos, é de dezembro de 2021.

Cid prestou vários depoimentos à Polícia Federal, alterando versões e implicando mais pessoas. Nos depoimentos iniciais, “esqueceu” que o general Braga Netto carregava uma sacola de dinheiro. Deu sérias indicações de não ser um delator confiável. Sua delação foi mantida por Moraes e referendada pelo plenário do STF, caso contrário corria o risco de toda a trama golpista ser desmontada, livrando o ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão.

Alexandre de Moraes liberou para a pauta de julgamentos uma ação ajuizada pelo PT em 2021 que questiona os limites da delação premiada Foto: Antonio Augusto/STF

A proposição inicial feita pelos advogados do PT é genérica – tão genérica que qualquer conclusão de um eventual julgamento vai ficar por conta da criatividade dos ministros. Também fala em temas que, na prática, já fazem parte do dia a dia da aplicação da lei. Por exemplo, a delação cruzada. Desde o mensalão, juízes não permitem que a palavra de um delator corrobore a de outro. Em teoria, é preciso provas para condenar alguém.

Não se defende aqui que a legislação da delação premiada seja imune à necessidade de aprimoramento. Alguém preso pode falar qualquer coisa para tentar ser solto. Também é preciso ter cuidado com os benefícios. Em busca de alcançar a alta cúpula do poder, malfeitores saem praticamente livres. No entanto, trata-se de expediente essencial para desbaratar organizações criminosas.

Fachin tem colocado para votar tudo que os ministros disponibilizam para julgamento, mas ainda não há previsão para a revisão da colaboração premiada. As pautas de abril e maio do STF já foram publicadas. É salutar que a mais alta Corte do País vote o que a sociedade demanda – o problema é votar com cinco anos de atraso.

Também nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que recomendou a Moraes numa conversa reservada que se abstivesse de votar em qualquer tema relacionado ao caso Master. Candidato à reeleição, Lula está seriamente preocupado com o impacto eleitoral do caso Master. Não há nada que impeça Moraes de pautar ou votar uma tese sobre colaboração premiada. Mas vamos usar do bom senso e da ética: se o ministro pode ser alvo de uma colaboração iminente, ele tem interesse no tema. As pesquisas de opinião pública sobre a imagem do STF mostram que a população está atenta.

Fonte do Artigo

Compartilhe seu amor