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Relatório da OpenAI divulgado esta semana apresenta propostas de políticas públicas para enfrentar o impacto da Inteligência Artificial na economia global. Semanas de trabalho de quatro dias sem redução salarial e a criação de bônus relacionado ao aumento de produtividade são alguns dos caminhos sugeridos pelo documento para fazer com que as vantagens trazidas pela automação representem segurança financeira e mais tempo livre aos trabalhadores.
Já um estudo do Goldman Sachs sobre o impacto da IA no mercado de trabalho dos EUA revela que, se o uso da tecnologia tem afetado trabalhadores menos experientes, ao mesmo tempo incrementa atividades humanas em vez de substituí-las. Mais: o levantamento mostra ainda que a IA tem impulsionado o crescimento de postos de trabalho em áreas como Direto, Educação e Construção.
Criada em abril do ano passado, a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) faz uso da IA em duas frentes. Em um primeiro momento, para o aumento da eficiência de gestão, ou para “melhorar o estado da porta para dentro”, explica o diretor de Inteligência Artificial, José Eduardo Padilha.
Um exemplo foi a aplicação de IA no programa Banco de Alimentos, do Ceasa, que anualmente atende mais de 160 mil pessoas em vulnerabilidade social com distribuição de alimentos. Em uma semana, a secretaria criou uma solução que automatizou uma função então feita manualmente (papel e caneta), o que não permitia, por exemplo, rastrear todo o processo e, assim, evitar desperdícios.
Na Cohapar, a pasta trabalha para, por meio de IA, zerar até o fim do ano a fila de 120 mil processos que aguardam solução. “[Estamos] Pensando muito em política pública estruturante para aumento da eficiência administrativa do estado”, diz.
Em uma segunda etapa, a SEIA vai trabalhar, via políticas de fomento, para ações como a instalação de data centers no estado. Hoje, a pasta estuda as localidades mais apropriadas para a instalação dessas unidades.
Outra ação, esta da Secretaria de Educação, prepara o profissional do futuro: o estado já oferece curso técnico de IA integrado ao Ensino Médio na rede pública estadual. No momento, mais de 30 instituições oferecem o programa. A intenção é chegar a 60 no próximo ano, informa Padilha. Ao completar os três anos, o aluno recebe o diploma de Técnico em Inteligência Artificial e Dados.
O Paraná é pioneiro no modelo no Brasil. “O grande objetivo de trazer políticas públicas para fazer do estado uma referência em Inteligência Artificial é trazer estrutura para que gere emprego para as pessoas”, resume Padilha.
“Os modelos atuais de IA estão impulsionando a criação de novas funções especializadas”, informa Silvana Mali Kumura, da coordenação Instituto Senai de Tecnologias da Informação e Comunicação e Hub de Inteligência Artificial do Senai-PR. Entre elas, nomenclaturas ainda não tão populares, como engenheiros de prompt, integradores de IA e analistas de aplicações no negócio. Ao mesmo tempo, tornam as profissões híbridas, em que humanos passam a atuar com a IA como copiloto. “Isso é o que mais vai acontecer, humano mais IA, gerando resultados mais relevantes”.
Criado em 2019, o Hub IA do Senai trabalha junto à indústria pela adoção da IA de olho no aumento de produtividade das empresas. Hoje, a unidade atende mais de 80 empresas, soma mais de 90 residentes pós-graduados e já no mercado trabalhando com Inteligência Artificial, e mais de 320 provas de conceito entregues.
A IA torna o processo de empreendedorismo menos atribulado ao viabilizar negócios mais enxutos e escaláveis, aponta Silvana. Há também uma reconfiguração importante no mercado de trabalho: tarefas operacionais são automatizadas, enquanto direção criativa, estratégia e posicionamento são mais valorizados.
“Cresce a demanda por infraestrutura e governança de dados, fundamentais para sustentar o uso eficiente de IA nas organizações”, esmiúça Silvana. “A IA não vai eliminar profissões inteiras, mas substituir partes delas e criar outras”, projeta.
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