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NOVA YORK — Para fazer o teste para interpretar a versão adolescente de Elle Woods, a heroína da série prequela de Legalmente Loira do Prime Video, Lexi Minetree vestiu um biquíni rosa e deitou-se em uma banheira de hidromassagem. Foi aí que a diversão começou.
Inspirada por uma cena do filme de 2001, na qual uma Elle de traje de banho (Reese Witherspoon) envia uma inscrição em vídeo para a Faculdade de Direito de Harvard, Minetree listou suas próprias qualificações: manter-se em forma (ela levantou pesinhos de um quilo); aprender novas habilidades (ela fez crochê diante das câmeras); e conciliar seus vários interesses (ela literalmente fez malabarismo com limões — “Sou uma colecionadora de hobbies”, ela me disse).
Lexi Minetree como Elle Woods em cena de ‘Elle: Legalmente Loira’, série que conta os eventos que antecederam o filme estrelado por Reese Witherspoon Foto: Jessica Brooks/Prime Video/Divulgação
“Foi absolutamente ridículo”, disse Minetree sobre seu vídeo de teste, enquanto tomava um café em Manhattan recentemente. “Mas do melhor jeito possível — do jeito da Elle, porque ela é ridícula, porque ela não se importa em passar vergonha. Ela apenas é ela mesma e banca isso, o que eu amo.”
E funcionou: Minetree, agora com 25 anos, uma atriz pouco conhecida dos subúrbios de Atlanta, conseguiu o papel principal de grande destaque em Elle, que começou a ser exibida nesta quarta-feira, 1º. “Quando vi o vídeo dela, pensei: ‘será que somos a mesma pessoa?’”, disse Witherspoon, que idealizou a série e assina a produção executiva, em um vídeo ao lado de sua sósia de queixo expressivo.
Minetree (pronuncia-se MIN-eh-tree) também irradia a energia de Elle de outras formas — o que Lauren Neustadter, produtora executiva da série, chamou de “a combinação de ser incrivelmente dedicada e incrivelmente otimista”.
Essas qualidades vão longe: o universo de Legalmente Loira já abrange o livro original, duas sequências no cinema e um musical da Broadway. No quarto de século desde que Elle Woods surgiu como uma garota de república totalmente cheia de acessórios e com uma confiança sobrenatural — que luta contra os estereótipos de loira e um ex-namorado babaca para se tornar a melhor da turma na faculdade de direito —, a personagem se tornou um enorme ícone feminista. “O quê, como se fosse difícil?” bem que poderia estar bordado nas mochilas de todas as estudantes universitárias obstinadas. (E há muitas delas seguindo os passos de Elle; Witherspoon já disse que mulheres — que hoje são a maioria dos estudantes de direito — costumam lhe dizer que foram inspiradas a fazer o curso após verem o filme).
Mas Elle Woods não surgiu do nada desfilando em seus sapatos Jimmy Choo. O que os criadores de Elle queriam capturar era como ela alcançou essa energia contagiante enquanto crescia. “Ela é quem ela é no filme”, disse Laura Kittrell, uma das showrunners. “Ela só não podia vir já totalmente pronta.”
Na série, Elle ainda é insegura o suficiente para se preocupar com o que os outros pensam dela. Como uma garota de 16 anos, “você internaliza o que as pessoas dizem”, disse Kittrell. “A coisa que a Lexi traz é essa vulnerabilidade.”
Lexi Minetree foi escolhida para o papel de Elle entre mais de 5 mil candidatas Foto: Thea Traff/The New York Times
A série se passa em 1995, o ano em que a Elle do filme estaria no penúltimo ano do ensino médio. Após uma mudança na situação financeira da família, Elle e seus pais (Tom Everett Scott e uma June Diane Raphael que rouba a cena) deixam seu habitat natural — a vida luxuosa e as compras pesadas de Bel Air, na Califórnia — e vão parar em Seattle, no auge da era grunge. Ser animada e usar rosa não funciona por lá; Elle, com toda a sua boa intenção, cola brilhos em uma camiseta do Nirvana apenas para ser recompensada com o pior insulto dos anos 90: “poser”. Ela luta bravamente para se ajustar e compreender um ambiente onde nem tudo é claro e confortável.
“Ela está meio que aprendendo em tempo real: ‘ah, talvez o mundo seja diferente do que eu conhecia’”, disse Minetree. “Talvez eu me importe com coisas diferentes que eu nem sabia que deveria me importar.”
Ao crescer como a filha mais velha de uma família reconstituída, com sua mãe e padrasto, ambos contadores, Minetree era uma devoradora de livros — “Ganhei um prêmio por ler a maior quantidade de livros de toda a escola” — que encontrou sua turma entre os jovens do teatro. “Foi onde aprendi a me sentir mais eu mesma, ou a minha versão favorita de mim mesma”, disse ela.
Ela se formou na University of Southern California com dupla graduação em teatro e relações públicas, conseguiu uma participação na série Law & Order e sentiu o gosto de ser a primeira na lista de elenco em filmes do canal Lifetime, como The Paramedic Who Stalked Me (“O Paramédico Que Me Perseguiu”) e My Amish Double Life (“Minha Vida Dupla Amish”).
Semelhança de Lexi Minetree com Reese Witherspoon impressionou até a veterana, que produz a nova série Foto: Thea Traff/NYT
“Sutil, eu sei”, ironizou ela.
Mas a comédia era algo novo para ela e, com 1,57m de altura — quase o mesmo que Witherspoon —, ela se preocupava em atuar com saltos de 15 centímetros. “Não sei se dá para ver o medo nos meus olhos”, disse ela sobre uma cena inicial onde ela desce as escadas se equilibrando (com sucesso). (Como todos os seus jovens colegas de elenco, ela também teve que aprender a usar um telefone antigo de gancho).
Minetree não se lembra da primeira vez que viu Legalmente Loira — ela nasceu pouco antes de o filme chegar aos cinemas. “Só me lembro de que era um tipo de filme de conforto, especialmente como uma mulher jovem”, disse ela. “Era muito empoderador de assistir.”
Outras pessoas que amadureceram junto com Elle Woods sentiram profundamente sua influência. “Mudou a minha vida”, declarou Neustadter espontaneamente. “Ver que ela era subestimada e, às vezes, incompreendida, mas que aquela autoconfiança, determinação e perseverança podiam realmente levar a uma conquista tremenda — acho que isso realmente me colocou no meu caminho.” Hoje, ela é sócia de produção de Witherspoon na empresa de mídia Hello Sunshine.
A ideia para a série surgiu de uma conversa que as duas tiveram em 2023 sobre garotas adolescentes e as mensagens negativas que recebem nas redes sociais e em outros lugares, com efeitos prejudiciais à sua autoestima. “A Reese foi quem disse: ‘Acho que esta geração precisa da Elle Woods’”, lembrou Neustadter. Em poucos meses, elas venderam a série para a Amazon.
A primeira temporada está repleta de referências rápidas e mimos para os fãs, como o momento em que Elle adota e dá o nome ao Bruiser, seu Chihuahua (um companheiro “vegetariano e de Gêmeos”). Uma segunda temporada já foi filmada.
Para conseguir o papel de Elle Woods, Lexi Minetree tirou fotos com roupas em tons de rosa e fez vídeo inspirado na personagem Foto: Thea Traff/The New York Times
Minetree não se limitou a imitar o vídeo de admissão do filme. Morena natural, ela havia ficado loira por um capricho alguns meses antes de as audições abertas para a série serem anunciadas. (Cerca de 5.000 pessoas se inscreveram). Ela imediatamente pediu a um amigo para tirar fotos de rosto com seu novo visual — roupa rosa, ondas douradas — para postar em seu perfil no IMDB.
“Meu cérebro de relações públicas entrou em ação”, disse ela. “Se eles me pesquisassem, eu queria que vissem a Elle. Não queria dar a eles um único motivo [para me descartar]”. (Antecipar e contornar a percepção das pessoas — uma atitude muito Elle Woods).
Depois, vieram suas pastas cheias de anotações — com abas, códigos de cores e constantemente reorganizadas. “Um sistema muito confuso”, riu Caroline Dries, outra showrunner da série. Mas foi eficaz: antes do primeiro dia de filmagem, quando muitos atores mal sabem suas próprias falas, Minetree já havia memorizado os roteiros de todos os oito episódios.
As produtoras ainda pareciam chocadas ao falar sobre isso, especialmente porque Minetree estava em quase todas as cenas, com um material carregado de diálogos. “Ela nunca mais vai falar tantas palavras por minuto a menos que esteja em uma peça de David Mamet”, brincou Kittrell.
Após longos dias de filmagem — Vancouver funcionou como cenário para Seattle —, Minetree se isolava na academia do hotel, debruçada sobre suas pastas enquanto corria na esteira. (Os hábitos de estudo de Elle, perfeitamente copiados). Ela trabalhou com um preparador vocal para dominar a cadência distinta da personagem: brilhante, leve, saltitante e, ainda assim, “não como uma ‘Valley Girl’ (patricinha californiana)”, enfatizou Minetree.
Kittrell e Dries a compararam a Lucille Ball em sua entrega e comédia física; na sessão de fotos para este artigo, ela subiu descalça pelas rochas do Central Park enquanto usava um vestido diáfano — uma ninfa com o hábito de praticar escalada.
“A Elle é meio que o elemento exagerado na série, e tudo o mais ao redor dela é bastante realista”, disse Dries.
June Diane Raphael, a atriz de comédia cuja personagem deve servir como representante da geração de mulheres que de fato cresceram com a Elle, disse que ficou “impressionada” com a forma como Minetree liderou o set e com sua atuação.
“Não é uma imitação. É ela oferecendo sua própria humanidade, passado e história a essa personagem”, disse ela, “lidando com aquela espécie de mania de hormônios e tudo o que você passa como uma garota adolescente.”
Minetree, que se mudou para Nova York após a faculdade e ainda mora com duas colegas de quarto em um apartamento no Brooklyn, sabe que sua vida pode mudar a qualquer momento, mesmo que ainda não consiga acreditar totalmente. Ser reconhecida na rua — “Não consigo imaginar como seria”, disse ela, com os olhos azuis bem abertos. Mas ela espera encarar isso com a coragem sem vergonhade Elle.
“Quero levar meu trabalho a sério”, disse ela. “Mas não a mim mesma.”
Este artigo apareceu originalmente no The New York Times.
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
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