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Mais de 80 anos após desaparecer no Oceano Pacífico, o cargueiro japonês Hōfuku Maru foi localizado por uma equipe internacional de pesquisadores próximo à costa oeste da ilha de Luzon, nas Filipinas. A embarcação afundou em setembro de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial levando a bordo cerca de 1.289 prisioneiros de guerra britânicos e holandeses, dos quais apenas 242 sobreviveram.
A descoberta encerra décadas de incerteza para familiares das vítimas e redefine a localização histórica do naufrágio, considerada incorreta durante anos por historiadores.
A identificação do Hōfuku Maru foi resultado de uma investigação conduzida pela Hellships Memorial Foundation, organização sediada nas Filipinas, que reuniu anos de pesquisas em arquivos militares japoneses e norte-americanos com o uso de sonar de varredura lateral, mergulho técnico e fotogrametria submarina.
O avanço decisivo ocorreu após a análise de documentos inéditos sobre comboios japoneses da guerra, encontrados pelo pesquisador John Duresky. Os registros indicavam que o navio havia afundado cerca de 50 quilômetros distante do ponto aceito até então.
Com base nessas informações, a equipe realizou levantamentos por sonar e mergulhos próximos ao município filipino de San Narciso, onde encontrou um navio partido em três grandes seções, compatível com as dimensões e os danos registrados nos relatos da época.
As imagens obtidas no fundo do mar permitiram comparar elementos estruturais, padrões de explosão e equipamentos da embarcação com os projetos originais, confirmando a identidade do cargueiro.
Construído em 1918, o Hōfuku Maru foi requisitado pelo Exército Imperial Japonês durante a Segunda Guerra Mundial para transportar prisioneiros de guerra aliados.
Esses navios ficaram conhecidos como “hellships” (“navios do inferno”), devido às condições extremamente precárias enfrentadas pelos detidos. Os prisioneiros permaneciam confinados em porões superlotados, sem ventilação adequada, com pouca água, alimentação insuficiente e quase nenhum atendimento médico.
Em 21 de setembro de 1944, o Hōfuku Maru integrava um comboio que seguia de Manila para o Japão quando foi atacado por mais de 100 aeronaves da Marinha dos Estados Unidos no Mar da China Meridional.
Sem identificação que indicasse o transporte de prisioneiros, o cargueiro foi confundido com uma embarcação militar japonesa. Bombas e torpedos atingiram o navio, que se partiu ao meio e afundou em poucos minutos.
A maioria dos prisioneiros permaneceu presa nos porões durante o naufrágio. Dos 1.289 britânicos e holandeses transportados, apenas 242 conseguiram sobreviver. O ataque também destruiu os 11 navios que formavam o comboio, tornando-se uma das maiores tragédias envolvendo prisioneiros aliados no mar durante a guerra.
Durante os mergulhos realizados entre dezembro e janeiro, os pesquisadores observaram restos humanos nos destroços da embarcação. Por esse motivo, o local passou a ser tratado como um túmulo de guerra, sem remoção de materiais ou interferência nos destroços.
Segundo a equipe responsável pela descoberta, a investigação teve caráter histórico, arqueológico e científico, mas também representa um marco para as famílias das vítimas.
Fonte do Artigo
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