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O Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou nesta terça-feira (11) que o atual contexto econômico do Brasil enfrenta uma alta incerteza, com desancoragem das expectativas inflacionárias e riscos elevados em relação ao cenário básico. Diante disso, o colegiado reforçou a necessidade de agir com serenidade e cautela na condução da política monetária, conforme indicado na ata da reunião de agosto do Copom.
Essa reunião, encerrada em 5 de agosto, marcou o quarto corte consecutivo na taxa Selic, reduzida em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00%. Segundo o Banco Central, essa decisão segue a estratégia de garantir a convergência da inflação para o centro da meta de forma consistente e sustentada, ao mesmo tempo que suaviza as oscilações da atividade econômica e fortalece o pleno emprego.
O Copom vem promovendo, desde março, um ciclo cauteloso de calibração da Selic, que já acumulou queda de 1 ponto percentual neste período. Antes disso, a taxa permaneceu em patamar elevado, 15%, durante dez meses consecutivos, o que representa o mais alto nível em quase 20 anos.
A ata destaca que a redução da Selic está alinhada com a manutenção da estabilidade de preços, pilar fundamental para a política monetária, e com a promoção de condições para a recuperação econômica e do mercado de trabalho.
As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram mantidas nas mesmas estimativas do comunicado anterior, com alta prevista de 5,1% em 2026, acima do teto da meta de 4,5%, e de 3,8% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, está estimado um aumento de 3,2% no índice inflacionário acumulado em 12 meses.
O comitê também especificou projeções para os preços livres e administrados, considerando o cenário de referência que inclui a trajetória da Selic conforme o Relatório Focus divulgado em 3 de agosto e a bandeira amarela na tarifa de energia elétrica prevista para dezembro de 2026 e 2027.
A ata reitera a existência de incertezas significativas, com riscos elevados em relação ao cenário-base devido a fatores como os impactos da guerra no Iraque sobre a cadeia global de suprimentos, preços de commodities e evolução da inflação. Nesse contexto, o Copom enfatizou a importância de acompanhar continuamente as novas informações para ajustar a política monetária conforme necessário, garantindo a restrição adequada para a convergência da inflação.
A redução em 0,25 ponto percentual reflete a estratégia do Comitê de calibrar a política monetária com cautela, buscando estimular a economia sem comprometer o objetivo principal da estabilidade de preços.
O Copom projeta alta de 5,1% para o IPCA em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, indicando uma convergência gradual para a meta ao longo do horizonte relevante.
Fatores externos, como os efeitos da guerra no Iraque na cadeia global de suprimentos e a volatilidade dos preços de commodities, aumentam a incerteza e os riscos, exigindo prudência na condução da política monetária no Brasil.