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Nos últimos anos, a busca por vinhos sustentáveis tem ganhado força, sobretudo entre os jovens apreciadores. Segundo a empresa Grand View Research, o mercado brasileiro de vinhos orgânicos alcançou receita de R$ 708 milhões em 2025, com perspectiva de dobrar até 2033. Em escala global, o setor está avaliado em R$ 68 bilhões, podendo chegar a R$ 74 bilhões em 2026.
Esse aumento do interesse facilita o acesso a rótulos que adotam práticas orgânicas e biodinâmicas, que respeitam o meio ambiente e evidenciam o terroir. A seguir, conheça três vinícolas do Chile, da Espanha e de Portugal que produzem vinhos sustentáveis e valorizam práticas ambientais.
Fundada em 1996, a vinícola chilena Caliterra tem no nome a tradução “qualidade da terra” e um compromisso com a sustentabilidade. Dos mais de 1.000 hectares da propriedade, aproximadamente 80% são de mata nativa preservada, com corredores verdes nos vinhedos que protegem a fauna local.
Os vinhos produzem sem ingredientes animais, sendo 100% veganos, e as garrafas utilizam vidro leve para diminuir a emissão de gases poluentes no transporte. Localizada a 200 km ao sul de Santiago, no Vale do Colchagua, próxima ao Oceano Pacífico, a Caliterra oferece vinhos elegantes e modernos. Sua linha Tributo celebra o terroir, como o Tributo Gran Reserva Mezcla Tinta, elaborado com uvas Malbec, Syrah, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Carménère. Com 12 meses de amadurecimento em carvalho francês e ânforas de argila, apresenta aromas de frutas maduras, especiarias, chocolate e notas tostadas, além de corpo encorpado e taninos maduros, ideal para carnes.
Na região de La Mancha, em Las Pedroñeras, destaca-se a Dominio de Punctum, fundada pela família Fernández. Com 200 hectares de vinhedos, a vinícola produz rótulos orgânicos e biodinâmicos, aplicando métodos sem pesticidas, herbicidas ou fertilizantes sintéticos para preservar a natureza e realçar a qualidade dos vinhos.
Os vinhos se destacam pela autenticidade e elegância, como o 99 Rosas Tinto, feito com Cabernet Sauvignon e Tempranillo. Ele oferece aromas frescos de frutas vermelhas, é equilibrado, com boa acidez e final prolongado, combinando bem com massas, pizzas, carnes assadas e aves.
A enóloga portuguesa Filipa Pato é referência mundial da sustentabilidade aplicada ao vinho, com vinhedos biodinâmicos na região da Bairrada, nomeadamente em Óis do Bairro. Sem uso de pesticidas, com manejo guiado pelas fases da lua e porquinhos pretos que ajudam na limpeza das plantas, a vinícola cumpre rigorosos princípios ambientais.
Filipa ganhou o Green Emblem em 2023, prêmio concedido pelo crítico Robert Parker a vinícolas sustentáveis. Seu vinho mais prestigiado, o Nossa Calcário Tinto, feito com uvas de vinhas com mais de 80 anos, foi eleito em 2025 o melhor vinho de Portugal pelo crítico James Suckling. É um tinto complexo, elegante, com aromas de frutas vermelhas, toques de menta e tabaco, corpo estruturado e taninos firmes, perfeito para carnes vermelhas e caça.
Vinhos orgânicos são produzidos sem pesticidas, herbicidas ou fertilizantes sintéticos, enquanto vinhos biodinâmicos seguem princípios que envolvem o manejo do vinhedo de acordo com ciclos naturais, incluindo as fases da lua, e práticas que promovem a saúde do solo e das plantas.
Essas práticas minimizam o impacto ambiental, preservam ecossistemas locais, reduzem o uso de produtos químicos nocivos e promovem a biodiversidade, valorizando o terroir e garantindo maior equilíbrio ecológico.
O crescimento do mercado de vinhos orgânicos no Brasil facilita a importação e distribuição desses rótulos, que podem ser encontrados em lojas especializadas, importadoras e no mercado digital, atendendo ao aumento da demanda por produtos sustentáveis.