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O caso de passageiros removidos para Moscow em dezembro, entre eles pessoas que disseram ter solicitado asilo nos EUA, ilustra o problema: autoridades de segurança russas (FSB) estariam à espera do voo e, conforme relatos obtidos pela BBC/AFP, homens no avião receberam documentos militares que os obrigam a se registrar em repartições de alistamento locais.
Uma mulher identificada pela reportagem como "Katya" — nome alterado para protegê-la — disse que temeu ser detida após interrogatórios em Moscow e que a polícia continua a telefonar e visitar seus parentes. Ela afirmou que, durante a revista de seu celular, agentes encontraram informações que consideraram "incriminatórias"; segundo ela, acabou liberada e pôde ficar com familiares.
segundo BBC, as remoções de russos dos EUA passaram de 222 em 2023 para mais de 1.200 em 2025, em meio a um aumento geral de deportações no segundo mandato do President Donald Trump. Na Alemanha, o número de russos devolvidos subiu de sete em 2023 para mais de 110 em 2025, conforme dados do governo alemão citados pela reportagem.
Entre 2022 e 2025, mais de 21.000 russos solicitaram asilo na Alemanha, mas a proporção de decisões favoráveis caiu de 29% em 2023 para 6,8% nos primeiros 11 meses de 2025, segundo informações citadas pela reportagem. No conjunto da União Europeia, a parcela de pedidos de proteção concedida a cidadãos russos caiu de 23% em 2024 para cerca de 17% nos primeiros nove meses de 2025, conforme dados mencionados.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou à BBC que “todos os estrangeiros em situação irregular recebem devido processo” e que, se um juiz decidir que a pessoa não tem direito a permanecer, ela será removida. A Agência de Migração e Asilo da Alemanha (BAMF) afirmou que proteção é concedida apenas quando há “medo bem fundamentado de perseguição”, conforme citado pela reportagem.
A reportagem da BBC/AFP lembra que, após a invasão da Ucrânia em 2022, muitos países haviam recebido russos que fugiam de repressão ou da mobilização, mas que, passados mais de quatro anos, as atitudes públicas e as políticas migratórias em vários Estados ocidentais se tornaram mais restritivas, com queda nas taxas de concessão de proteção e suspensão de programas humanitários em alguns casos, segundo os dados e fontes citados.
O grupo de direitos humanos Memorial, premiado com o Nobel, informou à reportagem que a lista de prisioneiros políticos na Rússia aumentou de 803 para 1.265 durante 2025, em um recorde de crescimento citado no texto.
A matéria da BBC/AFP registra relatos, números e declarações oficiais e não afirma conclusões além dos dados e depoimentos publicados pelas fontes citadas.