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Milhares de estudantes bloquearam entradas de colégios e saíram às ruas na France nas últimas semanas, em protestos que o governo passou a qualificar como potencialmente instrumentalizados por forças políticas à medida que se aproxima a eleição presidencial de 2027, reportou a BBC.
O primeiro‑ministro Sébastien Lecornu sugeriu que a frustração estudantil estaria a serviço de cálculos eleitorais. A reportagem da BBC registra anúncios de centenas de novas manifestações pelo país, com expectativa de adesão de sindicatos e de figuras do movimento dos “gilets jaunes”.
Estudantes de 17 anos ou menos dizem protestar por condições das escolas — como buracos nas paredes, turmas superlotadas e falta de professores — e apontam desigualdade entre áreas centrais e subúrbios. A BBC encontrou jovens que afirmaram não poder esperar pela eleição e consideram a mobilização uma forma de ser ouvida.
Além dos estudantes, mães com cartazes e ativistas ligados ao movimento dos “gilets jaunes” têm participado das mobilizações. O ativista Jérôme Rodrigues usou o Instagram para convocar presença nas manifestações, dizendo que a raiva e a privação não têm partido político, segundo a BBC.
Lecornu afirmou que membros do partido France Insoumise, associado ao candidato Jean‑Luc Mélenchon, estariam instrumentalizando o movimento estudantil para ganho eleitoral; segundo a BBC, apoiadores de Mélenchon também são ouvidos entre os manifestantes e o nome do candidato tem sido entoado nas ruas.
O governo acusou ainda alguns grupos de encorajar os protestos e, depois, condenar a violência quando ela ocorre. A BBC registra, porém, que muitos jovens dizem apoiar propostas de Mélenchon, como imposto sobre grandes fortunas e redução da idade de voto para 16 anos.
A reportagem relata relatos de confrontos em manifestações anteriores, com centenas de feridos e um caso em que um adolescente de 15 anos na cidade de Lens perdeu a mão. O ministério do Interior negou acusações de brutalidade policial, mas suspendeu o uso de granadas incapacitantes em manifestações de estudantes, conforme a BBC.
A reportagem também contextualiza as manifestações num cenário de tensão fiscal e parlamentar na France.
A matéria lembra que a participação de Marine Le Pen nas discussões inclui propostas como reduzir a contribuição Frances ao orçamento da União Europeia, mencionada como alternativa por forças de direita.
Senadora Anne‑Catherine Loisier, do grupo Centrist, disse à BBC que os estudantes "devem se sentir ouvidos" e defendeu redistribuição de verbas e maior descentralização para enfrentar problemas locais da educação.
Segundo a BBC, especialistas ouvidos afirmam que mudanças constitucionais seriam necessárias para alterar o sistema político francês, mas que isso não está em pauta imediata. A reportagem registra ainda a invocação, por manifestantes e analistas, da tradição histórica de protesto na France, citando como referência Maio de 1968.
O que permanece incerto, segundo a BBC, é até que ponto as tensões nas ruas vão influenciar a dinâmica eleitoral em 2027 e se as críticas sobre instrumentalização serão confirmadas por evidências que ultrapassem as acusações políticas já registradas.