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O exército do Sudão foi acusado de realizar ataques com drones que, segundo relatos de monitoramento e autoridades locais, mataram mais de 300 pessoas entre domingo e segunda-feira em áreas de West Kordofan e na região disputada de Abyei.
Fontes consultadas pela BBC, com origem em reportagens da Reuters, indicam números e relatos distintos de cada ataque, que juntos somam centenas de vítimas.
Em Al-Dabab, em West Kordofan, o grupo de monitoramento afirmou que um caminhão com cerca de 200 pessoas que viajavam para um funeral foi atingido ao chegar à cidade: 145 pessoas teriam sido mortas no caminhão e outras cinco em uma tenda onde se reuniam os enlutados. O observatório também relatou cerca de 150 feridos.
No mesmo estado, o órgão disse que drones bombardearam um mercado em Al-Mujlad, mas que o número exato de mortos e feridos naquele ataque ainda não era conhecido.
Separadamente, na segunda-feira, a região de Abyei — administrada em conjunto pelo Sudão e pelo Sudão do Sul e alvo de disputa — teve um ataque a um mercado conhecido como Amiet Market (ou Al-Na’am Market). O ministro de Informação de Abyei, Yohana Akol Ngor, informou à imprensa que 153 pessoas foram mortas no ataque ao mercado.
Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que o hospital Ameth Bek, em Abyei, recebeu mais de 20 pacientes feridos pelo ataque, incluindo casos críticos e queimaduras, e que vem prestando serviços cirúrgicos e cuidados de emergência.
Uma fonte militar disse à BBC que o ataque em Abyei foi realizado pelo exército Sudan's, alegando que o mercado funcionava como um ponto de abastecimento de combustível para o grupo paramilitar Rapid Support Forces (RSF). O exército, segundo a cobertura, não respondeu formalmente às acusações de autoria dos ataques, mas afirmou que não ataca civis mesmo quando acredita haver combatentes do RSF entre eles.
A BBC Verify analisou imagens de satélite que mostram edifícios queimados na parte nordeste do mercado de Amiet e verificou vídeos que exibem colunas de fumaça e grandes incêndios, além de registros de pelo menos um caminhão-tanque de combustível em chamas.
O Sudão do Sul convocou o embaixador Sudan's para apresentar uma queixa formal, e há preocupação de que os combates possam transbordar para além da fronteira. A ONU, por meio do porta-voz Stéphane Dujarric, declarou estar alarmada com os ataques com drones que matam civis, incluindo crianças, e que interrompem serviços essenciais.
Relatos do período indicam que a onda de ataques com drones começou no domingo à noite e que, segundo o Sudan War Observatory, é provável que tenham sido lançados a partir da cidade de Kadugli, então controlada pelo exército, em South Kordofan.
A reportagem da BBC também citou que, apesar de um embargo parcial de armas ao Sudão, países estrangeiros vêm fornecendo drones tanto ao exército quanto ao RSF, e que o conflito iniciado em 2023 provocou uma grave crise humanitária, com centenas de milhares de mortos e mais de 14 milhões de deslocados, conforme levantamento citado pela própria BBC.
A cobertura da BBC reuniu ainda relatos de um ataque por drone próximo ao aeroporto de Cartum que, segundo a agência AFP citada pela BBC, matou quatro pessoas, entre elas três crianças. A mesma matéria informa que defesas aéreas em Cartum teriam abatido outros drones lançados pelo RSF em direção ao aeroporto.
As informações desta matéria são baseadas em reportagens da BBC, com origem editorial indicada como Reuters, e em declarações e relatórios citados por essas coberturas. Detalhes e contagens de vítimas ainda apresentam variações conforme as fontes citadas.