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A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, acaba de soltar decisão decretando a antecipação da liquidação parcial da Oi, com a suspensão do pagamento dos débitos da empresa, destituição da diretoria e respectiva transição da prestação de serviços essenciais por meio de interventores.
Após 30 dias será avaliada a liquidação integral da empresa. Nesta terça-feira, 30, a juíza determinou:
A Oi ainda não se posicionou mas, segundo especialistas ouvidos, trata-se de uma decisão que pode ser recorrida.
Segundo a magistrada, pesaram na decisão para a antecipação da liquidação parcial o “laudado esvaziamento patrimonial” da Oi, o fornecimento de informações “equivocadas” ao juízo, a contratação de profissionais com custos “elevadíssimos” (ela cita contratação na ordem de US$ 100 milhões de advogados para promoverem o Chapter 11 nos Estados Unidos) e a ausência de apresentação de plano de transição para serviços públicos.
Além disso, a juíza também destacou “constatação inafastável” de que a Oi afirma possuir débito extraconcursal que estima em R$1,5 bilhão, além dos valores que já faziam parte da recuperação judicial.
“Ou seja, além da discussão até agora travada nos autos principais da recuperação judicial, que refere ao descumprimento – provavelmente substancial – das obrigações previstas no PRJ homologado, e que se encontram suspensas por força de decisão cautelar deste Juízo […], afirmam as Autoras que também estão inadimplentes para com o cumprimento de obrigações extraconcursais”, afirma a magistrada, na decisão.
A Oi, vale notar, estava buscando na Justiça justamente uma suspensão da exigibilidade dessas obrigações extraconcursais, pelo prazo inicial de 60 dias. O pedido até chegou a ser parcialmente aceito – pelo prazo de 30 dias -, mas acompanhado da antecipação da liquidação parcial da companhia.
Ainda de acordo com o despacho da juíza, o fluxo de caixa da Oi projetado para este dia 30 de setembro é de aproximadamente R$ 21 milhões. Os valores poderiam chegar a R$ 178 milhões negativos no final de outubro de 2025, caso a suspensão temporária da exigibilidade dos créditos solicitada pela empresa não fosse concedida.
Na própria terça-feira, 30, a Oi emitiu fato relevante afirmando que estuda as medidas cabíveis após a intervenção, e que pretende manter a prestação de serviços para clientes mesmo diante do cenário.
Já a V.tal, que tem travado disputa judicial com a tele, apoiou a decisão da Justiça que afastou a diretoria da Oi. Federações sindicais, por sua vez, manifestarem profunda preocupação com o efeito das medidas sobre trabalhadores.