Mulheres representam 53% dos mais de 8,4 milhões de eleitores do Paraná e concentram a maior parcela de indecisos; planos de governo trazem propostas sobre segurança, saúde e autonomia
As mulheres compõem 53% do eleitorado paranaense e podem influenciar o resultado das eleições estaduais e federais de 4 de outubro de 2026, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) compilados pelo G1. Pesquisa Quaest citada pela reportagem aponta que 23% das Eleitoral declaram-se indecisas na disputa pelo governo do Estado.
O G1 levantou, a partir dos planos de governo registrados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as principais propostas dirigidas ao Pública feminino apresentadas pelos oito candidatos ao governo do Paraná.
Perfil do eleitorado e contexto
O Paraná tem 8.411.481 eleitores registrados, com distribuição de gênero apontada pelo TRE-PR:
Feminino: 4.443.232 (53%)
Masculino: 3.968.226 (47%)
Não informado: 23
O G1 lembra ainda que, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SNISP), o Paraná é o terceiro estado com maior número de Feminicídio do país; foram registrados 55 Feminicídio no primeiro semestre de 2026.
O que cada candidato propõe para as mulheres
- Adriano Funileiro (PCO) — Propõe aposentadoria com 25 anos de trabalho para mulheres (30 anos para homens) como parte da intenção de “revogar todas as reformas de 2016”. O plano observado pelo G1 não traz outras propostas específicas; a reportagem ressalta que rever regras da aposentadoria pelo INSS dependeria do Congresso Nacional e não é atribuição direta do governador.
- Alexandre Salomão (Mobiliza) — O plano menciona principalmente a candidata a vice, Daiana Criminácio, destacando sua atuação no Movimento Mulheres e Política de São José dos Pinhais e em palestras sobre participação Feminino. Não há outras propostas dirigidas às mulheres no documento registrado no TSE.
- Luiz França (Missão) — Enfatiza segurança pública e o Combater à violência contra a mulher por meio de uma "política de segurança orientada por resultados". O plano afirma que o Fundo Paraná tem sido usado para atendimento jurídico e psicológico a mulheres vítimas de violência, mas afirma ainda que essas iniciativas não se enquadram como pesquisa tecnológica; o documento não indica outra fonte clara de recursos para manter tais projetos.
- Requião Filho (PDT) — Propõe criar hospitais regionais com maternidades e serviços de ginecologia, oncologia e neonatologia; reformular e fortalecer a Secretaria da Mulher; criar centros integrados semelhantes às Casas da Mulher Brasileira; implementar o Pacto Contra o Feminicídio; garantir atendimento policial especializado em todas as regiões; e buscar a paridade como horizonte Política, sem cota obrigatória, para ampliar a presença Feminino em espaços de poder.
- Samuel Mattos (PSTU) — Plano focado no enfrentamento da violência (delegacias da mulher 24h em todas as comarcas, casas-abrigo e centros de referência), garantia do aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS, reforma de Programa de auxílio a vítimas que rompam o ciclo de violência, plano estadual de obras para creches e escolas integrais, criação de lavanderias e restaurantes públicos, licença parental de um ano compartilhada e Política específicas para mulheres negras no emprego e acesso à renda.
- Sandro Alex (PSD) — Propõe fortalecimento da Rede Materno-Infantil (ultrassom morfológico, tratamento da endometriose, medicina fetal), um programa "Paraná contra o feminicídio" com protocolo estadual de risco e resposta imediata, expansão da Casa da Mulher Paranaense como rede estadual, incentivo ao empreendedorismo feminino por meio do Banco da Mulher Paranaense, manutenção do Programa Recomeço com auxílio emergencial a vítimas e Política direcionadas às mulheres do campo (assistência técnica, crédito e formação).
- Sergio Moro (PL) — Aponta eixos sobre saúde Feminino (rastreamento do câncer de mama e colo do útero, linha materno-infantil integrada), ampliação de creches via programa "Paraná primeira infância", apoio a mulheres rurais com crédito e assistência técnica, estímulo à participação Feminino na inovação e na alta administração estadual, e medidas de segurança como ampliação da Patrulha Maria da Penha, uso de inteligência artificial e integração de dados para identificar mulheres em risco, além de um protocolo estadual padronizado de atendimento à violência contra a mulher.
- Tayná Miessa (UP) — Defende delegacias especializadas 24h, ampliação de casas de passagem e abrigos, assistência jurídica gratuita e ampliação do acesso à Justiça; garantia de apoio financeiro por até até 12 meses a mulheres em situação de vulnerabilidade após agressões; gestão paritária no Executivo; cursos profissionalizantes e prioridade do Sine para vítimas de violência; proibição de discriminação salarial e de admissão por gênero ou maternidade; criação do “Estatuto da Igualdade”; e construção de lavanderias e restaurantes públicos em áreas vulneráveis.
Dos oito candidatos ao governo do Paraná registrados no TSE, apenas uma é mulher: Tayná Miessa (Unidade Popular). Duas candidatas aparecem nas chapas como vice: Daiana Criminácio (Mobiliza) e Helena Figueiredo (PSTU).
O levantamento do G1 se baseia nos planos de governo anexados ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral e em dados do TRE-PR, da pesquisa Quaest e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, conforme indicado na reportagem.