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Mães de crianças desaparecidas em diferentes estados brasileiros relataram, durante audiência na Câmara dos Deputados, uma série de obstáculos que impedem o avanço das investigações. O encontro, realizado pela Comissão Externa de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, deu voz a famílias que buscam respostas sobre o paradeiro de seus filhos há meses ou até anos.
As falas destacaram a angústia de lidar com inquéritos parados e a sensação de desamparo diante da burocracia estatal. Conforme informação divulgada pela Agência Câmara, os relatos envolvem casos registrados no Maranhão, Rio de Janeiro e Pará, expondo um cenário de desintegração entre as Polícia e a carência de protocolos ágeis para situações de desaparecimento.
A seguir, entenda as principais dificuldades enfrentadas por essas famílias e as propostas apresentadas para tentar solucionar os impasses nas investigações em curso no país.
Clarice Cardoso, mãe dos irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, busca respostas desde janeiro deste ano. Os pequenos desapareceram em uma zona rural de Bacabal, no Maranhão, e, após nove meses, o inquérito segue sem conclusão.
A advogada Nathaly Moraes, que representa a Famílias, questiona a condução do caso. Ela aponta que, inicialmente, a polícia trabalhou com a hipótese de as crianças terem se perdido ou sido vendidas. A advogada critica a falta de cooperação com a Polícia Federal, caso a linha de investigação fosse tráfico humano, sugerindo que houve falha na aplicação de procedimentos básicos.
No Rio de Janeiro, Marize Araújo luta pelo filho Edson Davi, de seis anos, desaparecido na Praia da Barra da Tijuca desde janeiro de 2024. A mãe contesta a versão oficial de afogamento e afirma que a investigação descartou suspeitos sem as devidas apurações.
Marize denunciou que as câmeras de segurança da praia estavam desligadas no momento do sumiço. Ela sustenta a tese de sequestro por uma quadrilha e clama por uma investigação mais digna e atenta às particularidades de um caso envolvendo uma criança de apenas seis anos.
Em Eldorado do Carajás, no Pará, o caso de José Arthur Souza Barros, desaparecido em março de 2026, também reflete a falta de respostas satisfatórias. O advogado Elisson Araújo defende que o problema é estrutural e propõe a coleta de biometria facial no nascimento para evitar falsificações de documentos.
Por que as famílias pedem a federalização dos casos?
As famílias e seus advogados defendem a federalização para garantir maior integração entre as forças de segurança e acesso a recursos federais, evitando a morosidade e as falhas locais.
Qual a principal queixa das mães sobre as investigações?
A principal queixa é a falta de informações, a demora na conclusão dos inquéritos e a culpabilização das próprias mães, o que, segundo elas, atrasa o andamento dos processos.
O que foi proposto para evitar o tráfico de crianças?
O advogado Elisson Araújo sugeriu a coleta de biometria facial das crianças logo no nascimento como uma medida preventiva contra a falsificação de documentos e o tráfico humano.
O que diz a investigação sobre o caso de Edson Davi?A investigação oficial aponta para a possibilidade de afogamento, mas a Famílias discorda veementemente e acusa a polícia de descartar suspeitos sem realizar as investigações necessárias.
Qual o próximo passo da Comissão Externa da Câmara?
O colegiado pretende continuar acompanhando os casos e articula uma proposta legislativa para permitir que a Polícia Federal atue nos casos de desaparecimento sem entraves burocráticos.