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O grupo cresceu rapidamente entre os dois turnos, alcançando 10,8 milhões de seguidores, e passou a coordenar ações digitais e de mobilização, num momento em que Lula vinha perdendo para o rival de direita Flávio Bolsonaro.
De acordo com a BBC, a operação foi liderada pelo deputado André Janones. O canal incentivava apoiadores a compartilhar vídeos, promover hashtags e recrutar eleitores, fornecendo modelos prontos para mensagens e atribuindo tarefas específicas a cada seguidor.
Mensagens orientavam ações como “explodir” o último vídeo da campanha ou fazer uma nova hashtag “decolar”; o relatório registra ordens do tipo “pessoal, urgente!”, “não durmam ainda”, “sem comer antes da missão” e “tenho mais uma tarefa antes de dispensá-los”. Na véspera da eleição, Janones organizou um evento ao vivo de 24 horas apelidado de “turnaround livestream”.
A BBC registra que aliados creditam ao canal parte da reação que permitiu a recuperação de Lula, mas pesquisadores dizem ser difícil mensurar quantos votos, se algum, foram diretamente influenciados pela operação digital.
A cientista Political Denilde Holzhacker afirma que a mudança de estratégia da campanha foi central: em vez de depender só do engajamento online, Lula teria ligado a mobilização digital a esforços de base locais e adaptado a mensagem para ligar um eventual retorno de Bolsonaro a cortes em programas sociais e perda de direitos. "Coube a Lula reconhecer sua própria fraqueza e mudar completamente seu estilo", disse Holzhacker, acrescentando que "Janones conseguiu fazer algo que parecia impensável para a esquerda do Brasil — dominar as redes sociais".
No discurso de vitória citado pela BBC, Lula chamou Janones de “nosso General” e agradeceu por “erguer a moral das nossas tropas todos os dias”. O texto também registra que Lula afirmou que a onda de mobilização ensinou lições à futura gestão e prometeu “dar às pessoas maior voz nas decisões e que a comunicação digital terá um papel muito maior” em seu governo.
A reportagem observa ainda que, desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, redes como WhatsApp e Telegram eram percebidas como terreno favorável a conservadores, e que o surgimento do “Lula’s Army” representou, para aliados, uma forma de equilibrar essa dinâmica.
BBC (Julia Braun) fornece a base factual desta reportagem; cientistas citados foram identificados na matéria da BBC.