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Entenda as diferenças de Ciro e Elmano em pesquisas no Ceará

Entenda as diferenças de Ciro e Elmano em pesquisas no Ceará

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Quaest, AtlasIntel e Datafolha apontam Ciro Gomes na liderança da disputa pelo Governo do Ceará
Vantagem do tucano sobre Elmano varia de 4,7 pontos na Atlas a 19 pontos no Datafolha
Diferenças entre os resultados passam por período de campo, tamanho das amostras e métodos de coleta dos institutos
Segurança pública aparece como principal problema do Ceará nas pesquisas que abordaram o tema
Apesar das simulações de segundo turno, os números atuais indicam possibilidade de a eleição ser definida já no primeiro turno, com Ciro e Elmano concentrando a maior parte das intenções de voto

Três das principais pesquisas eleitorais divulgadas no Ceará nas últimas semanas apresentaram uma semelhança da disputa pelo Governo do Estado: O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) aparece à frente do governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição, em todas elas. A semelhança, porém, termina parcialmente aí.

Os levantamentos dos institutos Quaest, AtlasIntel e Datafolha apresentam diferenças significativas sobre o tamanho da vantagem do tucano.

Cenários

No Datafolha, contratado pelo O POVO e divulgado no último dia 13, Ciro registrou 52% das intenções de voto, enquanto Elmano obteve 33% da preferência do eleitorado.

Na pesquisa Atlas, divulgada em 12 de agosto, o cenário também foi favorável ao tucano, que teve 49,3% contra 44,6% do petista.

Na Quaest, divulgada em 30 de julho, Ciro tinha 43% das intenções de voto, contra 33% de Elmano.

Assim, a margem favorável a Ciro varia de 4,7 pontos percentuais, na Atlas, a 19 pontos considerando o resultado do Datafolha. Na Quaest, são dez pontos percentuais de diferença.

Mais do que uma divergência sobre quem está na frente, os números mostram diferenças sobre o tamanho do eleitorado hoje identificado com cada candidatura. Ciro varia de 43% a 52% entre os três institutos. Elmano, por sua vez, aparece com 33% na Quaest e no Datafolha, mas chega a 44,6% na Atlas.

Os três institutos estão entre os que o O POVO classificou no grupo de maior precisão histórica para as eleições de 2026. A seleção foi feita a partir da comparação entre pesquisas de véspera das eleições presidenciais de 2014, 2018 e 2022 e os resultados efetivamente registrados nas urnas.

AtlasIntel, Datafolha e Quaest ficaram no grupo A, formado por institutos com erro absoluto de até 2,5 pontos percentuais nos cenários supracitados.

Pesquisas têm metodologias próprias

Embora tenham sido divulgadas próximas umas das outras, as pesquisas não devem ser lidas como se fossem uma única série temporal.

A Quaest ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de julho, por meio de entrevistas presenciais domiciliares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, enquanto o nível de confiança é de 95%.

A Atlas ouviu 1.774 eleitores entre 6 e 11 de agosto. O levantamento utilizou questionário eletrônico; tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e também apresenta nível de confiança de 95%.

Já o Datafolha entrevistou 1.022 eleitores entre os dias 10 e 12 de agosto, em 51 municípios do Ceará. A coleta foi feita presencialmente em pontos de fluxo populacional, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Há, portanto, diferenças de período, tamanho da amostra e forma de coleta.

A Atlas utilizou recrutamento digital aleatório; a Quaest realiza entrevistas domiciliares; e o Datafolha trabalha com abordagem pessoal em pontos de fluxo.

Isso não significa que um dos métodos seja, por si só, responsável pela diferença nos resultados. Não é possível afirmar que a metodologia explica isoladamente o motivo de um instituto encontrar mais ou menos apoio para determinado candidato.

 

Diferenças entre as opções

Também é importante considerar que os cenários não são exatamente idênticos. A lista de candidatos mudou entre os levantamentos.

Na Atlas, por exemplo, Eduardo Girão, que tinha 4,8% na pesquisa anterior do instituto, não estava mais no cenário de agosto; Ciro passou de 45,8% para 49,3%, enquanto Elmano permaneceu praticamente estável, de 44,8% para 44,6%.

No Datafolha, o próprio instituto não compara a pesquisa estimulada de agosto com a de março porque a composição dos candidatos mudou. Eduardo Girão também já não consta. Em ambas, aparece Pedro Brito como candidato do Novo. Ele já saiu da disputa e deu lugar a Vera Lúcia.

O que há de comum entre os três levantamentos

Apesar das diferenças, há um ponto de convergência importante: Ciro está na frente em todas as pesquisas.

Clique na imagem abaixo para visualização completa dos dados.

2° turno

O cenário favorável ao tucano também se repete nas simulações de segundo turno.

  • No Datafolha, Ciro tem 55% das intenções de voto contra 37% do governador Elmano
  • Na Atlas, Ciro registra 53,4% e Elmano tem 44,8% 
  • Na Quaest, Ciro aparece com 48% da preferência, contra 35% de Elmano. 

A simulação de segundo turno, no entanto, deve ser lida com uma ressalva no cenário atual. Pelo peso das duas principais candidaturas nas pesquisas de primeiro turno e pelos percentuais muito baixos atribuídos aos demais nomes, existe possibilidade de definição em primeiro turno.

No Datafolha, por exemplo, Ciro e Elmano somam 85% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos somados ficam em 3%. Na Atlas, o tucano e o petista chegam a 93,9%. Na Quaest, são 76%; enquanto os demais candidatos somam 4%.

A legislação prevê segundo turno para governador quando nenhum candidato obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. Portanto, as simulações entre Ciro e Elmano ajudam a medir um eventual confronto entre os dois, mas não significam que a eleição necessariamente caminhará para essa etapa.

Atlas apresenta cenário mais apertado

Entre os três levantamentos, a Atlas é a que mostra a disputa mais equilibrada. Ciro tem 49,3%, contra 44,6% de Elmano, diferença de 4,7 pontos percentuais.

É também a pesquisa em que Elmano aparece com maior percentual. O resultado ocorre em um cenário no qual Ciro avançou em relação à pesquisa anterior do instituto, enquanto o governador permaneceu praticamente estável.

Na pesquisa de junho, Ciro tinha 45,8% e Elmano, 44,8%. Em agosto, o tucano foi a 49,3%, e o petista ficou em 44,6%.

Parte da movimentação de Ciro foi associada pelo próprio levantamento à saída de Eduardo Girão (Novo) da disputa.

Datafolha apresenta a maior distância

O Datafolha, em pesquisa contratada por O POVO, apresentou a maior diferença entre os dois principais candidatos: 52% para Ciro e 33% para Elmano.

O levantamento foi realizado entre 10 e 12 de agosto, poucos dias antes do início oficial da campanha eleitoral. A pesquisa mostra ainda que os demais candidatos têm pouca expressão na estimulada: Pedro Brito (Novo), que desistiu da disputa, aparece com 1%; Delegado Huggo (Missão) teve 1% e Danilo Soares (O Democrata) teve 1%; Serley Leal (UP) e Zé Batista (PSTU) não alcançaram 1%.

A distância entre os dois principais nomes também é vista na rejeição. Elmano é rejeitado por 35% dos entrevistados, contra 21% que rejeitam Ciro. Os demais candidatos, apesar de terem percentuais baixos de intenção de voto, também apresentam índices de rejeição relevantes, em parte porque a pergunta permite múltiplas respostas.

Voto espontâneo mostra que a eleição ainda está aberta

Os percentuais da pesquisa estimulada não devem ser confundidos com um eleitorado completamente consolidado.

No Datafolha, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Ciro tem 28% e Elmano, 20%. Outros 43% dos entrevistados se declararam indecisos.

Na Quaest, a distância também diminui bastante na pergunta espontânea: Ciro aparece com 15% e Elmano com 13%, enquanto 70% estão indecisos.

A diferença entre estimulada e espontânea é esperada em uma eleição ainda em fase inicial, mas serve para lembrar que os números representam o cenário no momento da coleta, e não uma projeção do resultado de 4 de outubro.

Segurança aparece como ponto de convergência

Se há uma diferença entre os institutos sobre o tamanho da vantagem de Ciro, há também uma convergência significativa sobre o ambiente em que a eleição está sendo disputada.

A segurança pública aparece como principal problema do Ceará tanto na Quaest quanto no Datafolha. Na Quaest, 53% dos entrevistados apontaram a violência como o pior problema do Estado; outros 18% que citaram a saúde.

No Datafolha, 50% mencionaram espontaneamente a segurança pública como o principal problema do Estado; 22% apontaram a saúde.

A percepção negativa sobre segurança ocorre apesar da melhora de diversos indicadores objetivos da violência no Estado. O contraste entre percepção e estatísticas ajuda a explicar como o tema ganhou espaço na campanha e se tornou um dos principais campos de disputa entre governo e oposição.

No caso de Ciro, a segurança aparece como um dos temas centrais do discurso. Elmano, por sua vez, tem usado a redução dos índices de criminalidade e as ações na área como argumento.

Os dados, contudo, não permitem afirmar que a preocupação com segurança seja responsável pela liderança de Ciro. O que as pesquisas mostram é que o tema ocupa posição central na agenda do eleitorado ao mesmo tempo em que o candidato de oposição aparece na frente.

Aprovação de Elmano não se converte automaticamente em voto

Outro dado que ajuda a entender a fotografia eleitoral é a avaliação do governador.

No Datafolha, 54% dizem aprovar o trabalho de Elmano, enquanto 38% desaprovam. A avaliação de ótimo ou bom é de 35%, praticamente empatada com a avaliação regular, de 34%.

Na Quaest, 51% afirmaram que Elmano merece ser reeleito e 40% disseram que não. Ao mesmo tempo, 45% preferem que o próximo governador mude apenas o que não está bom, 35% querem mudança total e 17% defendem a continuidade do trabalho atual.

Os números mostram que aprovação do governo, intenção de voto e desejo de continuidade não são equivalentes. Um eleitor pode avaliar positivamente a administração e ainda assim declarar voto em outro candidato.

Por que O POVO acompanha os três institutos

AtlasIntel, Datafolha e Quaest estão entre os institutos selecionados pelo O POVO para a cobertura eleitoral de 2026 justamente pelo histórico de precisão.

A Central de Dados O POVO+ avaliou pesquisas de véspera das eleições presidenciais de 2014, 2018 e 2022 e comparou as estimativas com os resultados das urnas. Os seis institutos classificados no grupo A, entre eles os três que realizaram as pesquisas no Ceará, têm peso maior no Agregador de Pesquisas O POVO.

>> Confira o Agregador de Pesquisas O POVO 2026

O agregador existe justamente porque uma pesquisa isolada é uma fotografia específica, sujeita às características daquele momento e daquele levantamento. A ferramenta reúne diferentes institutos, considera o histórico de precisão e dá peso maior às pesquisas mais recentes, buscando identificar tendências mais persistentes e reduzir o efeito de oscilações pontuais.

Assim, as diferenças entre Quaest, Atlas e Datafolha não significam necessariamente que um dos levantamentos esteja “certo” e os outros, “errados”. O conjunto das pesquisas permite observar tanto o que já parece consolidado quanto aquilo que ainda é objeto de divergência entre as diferentes fotografias do eleitorado.

Por enquanto, a parte mais consistente do retrato é a liderança de Ciro. A dimensão dessa vantagem, porém, permanece como uma das principais questões em aberto na disputa.




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