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Segundo o estudo “Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural”, realizado pela Oxfam Brasil e pela Molina Consulting e divulgado pelo CGN em 2/10/2026, as cadeias produtivas de manga, uva e maçã movimentam cerca de R$ 15 bilhões por ano no Brasil, mas o setor se sustenta em práticas que a pesquisa classifica como exploração dos trabalhadores rurais.
O relatório analisou o trabalho nas regiões do Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia) e da Serra Gaúcha (Rio Grande do Sul) e aponta violações trabalhistas, descarte de mão de obra, adoecimento e persistente subnotificação de casos relacionados ao trabalho.
A pesquisa cita jornadas longas, incluindo safristas com mais de 16 horas diárias, exposição a temperaturas extremas na Serra Gaúcha — de 8 ou 9 graus negativos, segundo o estudo — e rotinas na manga no Nordeste em que trabalhadores fazem jornada ininterrupta. Em alguns locais, trabalhadores relatam cortar consumo de água e idas ao banheiro para cumprir metas, o que, diz o estudo, resulta em adoecimento.
O estudo também documenta exposição contínua a agrotóxicos e aponta omissão crônica nos registros do sistema de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Lideranças sindicais do Vale do São Francisco estimam que há apenas um caso formal notificado para cada cinquenta ocorrências reais de intoxicação.
Na amostra do estudo, das 117.341 contratações formais registradas no Vale do São Francisco e na Serra Gaúcha, em 2024, apenas 39,2% estavam ativas em dezembro, ou seja, seis em cada dez contratos terminam antes do fim do ano. A Serra Gaúcha registra alta de contratações em janeiro e fevereiro e desligamentos em março; o Vale do São Francisco tem pico de julho a outubro.
O relatório registra também efeitos da mecanização: um dirigente sindical ouvido pelos pesquisadores disse que, na manga, a mecanização reduziu mais de 40% dos empregos. O estudo nota a presença de fluxos migratórios ligados à colheita, incluindo trabalhadores vindos do Mato Grosso e do Paraguai, e que indígenas compõem 21,4% da força de trabalho na maçã gaúcha.
A Oxfam e os autores do estudo destacam a importância de sindicatos mais fortes para proteger direitos coletivos em um contexto de alta informalidade, contratos de curta duração e migração sazonal. A diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, afirmou que a riqueza do setor se alimenta da vulnerabilidade histórica dos trabalhadores do campo.
A matéria do CGN informa que a Agência Brasil entrou em contato com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.