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A Fleury, que chega ao centenário este ano e é dona de laboratórios como Felippe Mattoso, Labs A+ e Hermes Pardini, teve novo trimestre sem sobressaltos e acima da expectativa de analistas. A receita bruta cresceu 14,4% entre abril e junho, na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo R$ 2,51 bilhões. Já o lucro líquido teve salto de 45,7% no mesmo tipo de comparação, para R$ 221,8 milhões.
Se a rede é conhecida por suas aquisições — só de laboratórios, foram 16 em menos de uma década —, a CEO Jeane Tsutsui afirma que o “crescimento orgânico” (ou seja, sem contar marcas adquiridas) foi um dos principais motores do resultado.
No segmento B2C, que reúne os laboratórios que atendem o consumidor final e respondem por 70% do negócio, o crescimento orgânico foi de 11,6%. Considerando aquisições como a do Confiance, com 25 unidades na região de Campinas (SP), e a do São Lucas, em Rio Claro (SP), o avanço nesse segmento foi de 15%.
— A Marca Fleury, que é centenária, cresce 12%. A gente vem falando da resiliência do crescimento do segmento premium, e essa é uma das razões. Nas outras marcas que atuam em SP, o crescimento orgânico foi de 12,9% — afirma, em entrevista à coluna, a executiva, cardiologista de formação que assumiu o comando da Fleury há cinco anos.
O volume de exames realizados pelo grupo disparou 17,7%, para 46,7 milhões no trimestre, mas parte do crescimento se deu por causa das aquisições do Confiance, Hemolab e LSL. De todo modo, a expansão mais do que compensou uma queda de 2,3% na receita bruta por exame, que caiu para R$ 37,9 devido a uma “alteração do mix com maior participação de exames de análises clínicas e marcas intermediárias/básicas”, segundo explicou a companhia em seu balanço.
No segmento B2B, no qual a Fleury presta serviços para outros laboratórios e que representa 21% do faturamento, a CEO atribui aos investimentos na capacidade produtiva parte da expansão de 12,2% nas receitas brutas (R$ 545,1 milhões). Mais uma vez, o salto no número de exames processados anulou uma redução de 7,4% na receita bruta por exame (R$ 9).
O balanço cita, por exemplo, investimentos de R$ 41,4 milhões, desde 2024, na ampliação de oito das 16 unidades desse negócio, conhecido como lab-to-lab, e na abertura de duas novas áreas técnicas em SP e no RS. Segundo a CEO, com a expansão, a capacidade de produção anual cresceu 30%.
Entre as métricas preferidas dos investidores, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações etc.) cresceu 15,2%, para R$ 612,9 milhões. A margem bruta, que é o percentual das vendas que vira lucro, avançou de 26,1% para 27,8% em um ano. A alavancagem, que é a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, subiu de uma vez para 1,1 vez.
— Essa leve alta ocorreu por causa do pagamento de dividendos que a gente já tinha declarado e pelo pagamento da conclusão da compra do Laboratório Femme — explica Jose Antonio Filippo, diretor-financeiro (CFO) da Fleury.
A compra da Femme, anunciada em novembro passado, foi a última concluída pela empresa. Filippo admite que, com os juros altos, “o custo de capital está elevado”, o que torna a companhia mais seletiva na hora de fechar aquisições.
— Temos um “pipeline” de aquisições, mas tem que fazer sentido. Nossa disciplina permanece: olhamos para negócios em regiões com alto desenvolvimento, participação importante de saúde suplementar e com pilar cultural compatível, já que a gente integra esses negócios ao nosso. E, claro, olhamos para a disciplina dos parâmetros econômico-financeiros deles (os alvos) — conclui a CEO.
Fonte do Artigo
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