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A Justiça aceitou a denúncia contra a vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL), de Curitiba, tornando-a ré por crime de xenofobia após o episódio ocorrido em sessão da Câmara Municipal no dia 5 de agosto. Durante a discussão sobre a criação da Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua, Guzella dirigiu-se à vereadora Vanda de Assis (PT), natural de Campos Sales, no Ceará, questionando por que ela não retornava ao estado de origem.
A fala de Guzella, interpretada por Vanda como xenofóbica, provocou reação imediata e a interrupção da transmissão da vereadora pela presidência da sessão. Segundo a Câmara, a denúncia contra Guzella foi aceita para que a parlamentar apresente sua defesa no prazo de dez dias, dando início assim à ação penal.
Durante a sessão, o diálogo entre as vereadoras ocorreu da seguinte forma: Tathiana perguntou a Vanda por que ela não retornava ao Ceará, afirmando que, apesar de ter nascido no estado, teria vindo “encher o saco” em Curitiba. Essa manifestação gerou críticas imediatas de Vanda, que classificou a fala como uma prática criminosa de xenofobia contra ela e a população cearense.
O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão, encerrou a fala da Delegada Tathiana para evitar transtornos maiores. Em nota, Guzella afirmou que sua fala foi tirada de contexto e negou ter cometido quaisquer atos xenófobos, reservando-se ao direito de se manifestar formalmente no processo judicial.
O Ministério Público pediu a condenação da vereadora Tathiana Guzella, além do pagamento de indenizações por danos morais tanto individuais quanto coletivos. Conforme o órgão, as declarações teriam intenção de ofender e humilhar não apenas a vereadora Vanda, mas também a população cearense em geral.
Foi solicitado que Guzella pague 20 salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 32.420, em indenização à vítima. Além disso, o MP requer uma indenização de 40 salários mínimos, aproximadamente R$ 64.840, destinada ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Funddeppir) para danos morais coletivos.
O Ministério Público ainda afirmou que não considera cabíveis medidas alternativas como Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou suspensão condicional do processo.
Além da ação judicial, o episódio gerou ao menos cinco representações na Câmara Municipal de Curitiba, quatro contra a vereadora Tathiana Guzella e uma contra a vereadora Vanda de Assis. A Mesa Diretora da Câmara ficará responsável por analisar a admissibilidade dessas representações, considerando apenas os requisitos formais. Caso sejam aceitas, elas serão encaminhadas à Corregedoria para instrução e providências.
Como Tathiana Guzella também ocupa o cargo de corregedora da Casa, a instrução dos processos referentes a ela será feita pelo primeiro-vice-corregedor, vereador Olímpio Araujo Junior (PL).
Delegada Tathiana Guzella perguntou à vereadora Vanda de Assis, natural do Ceará, por que ela não volta para o estado natal, afirmando que ela teria vindo “encher o saco” em Curitiba.
Com a aceitação da denúncia pela Justiça, a vereadora Tathiana Guzella virou ré e deve apresentar defesa em até dez dias, dando início ao processo penal por xenofobia.
O MP pediu que Guzella pague 20 salários mínimos (cerca de R$ 32.420) à vereadora Vanda de Assis por danos morais individuais, além de 40 salários mínimos (aproximadamente R$ 64.840) a título de indenização por danos coletivos para o Funddeppir.
A Câmara recebeu representações contra as duas vereadoras e encaminhará as admissíveis para a Corregedoria, que conduzirá as investigações e eventuais sanções administrativas.