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A Polícia Civil do Paraná indiciou quatro homens pelo crime de tortura com resultado morte e com agravante de cativeiro, após investigações sobre a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, que caiu do 14º andar de um apartamento em agosto. Segundo a corporação, laudos periciais indicam que a vítima caiu ao tentar fugir pela sacada do imóvel.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que avaliará se oferece denúncia à Justiça contra os investigados, informou a polícia.
De acordo com delegados envolvidos no caso, Alexandre foi confrontado por volta das 22h30 de quinta-feira (13) por quatro colegas de apartamento da namorada, que o acusaram de furtar uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Na sequência, ele foi trancado em um cômodo, amarrado com um cabo de extensão e submetido a agressões físicas e psicológicas por cerca de três a quatro horas, conforme relato policial.
Os investigadores relatam que os suspeitos usaram ameaça com faca, deram chutes, socos e tapas, e chegaram a forçar a vítima a ingerir dois comprimidos de um medicamento descrito no inquérito como capaz de causar irresponsividade. Fotos encontradas nos celulares dos suspeitos mostram Alexandre amarrado, afirmam os policiais.
Segundo o delegado Roberto Fernandes, os interrogados não negaram as agressões nem o ato de trancar a vítima para forçar uma confissão. Testemunhas também relataram a situação de tortura e cárcere. Dois suspeitos teriam confessado aos policiais durante a investigação, disse a autoridade citada pela reportagem.
A perícia e Testemunhas colhidos pela polícia indicaram que Alexandre tentou acessar a sacada do apartamento de baixo pela proteção do lado externo e acabou despencando. O laudo Científica descartou que ele tenha sido arremessado do prédio, conforme o delegado Roberto Fernandes.
Agentes que atenderam a ocorrência notaram inicialmente indícios que motivaram investigação mais aprofundada, como a posição da chave da porta do quarto. A ocorrência chegou a ser registrada inicialmente como possível suicídio.
Os quatro homens chegaram a ficar detidos por 24 dias e deixaram a prisão no domingo (6). Três deles respondem com tornozeleira eletrônica e todos têm proibido contato com testemunhas e a saída da cidade sem autorização, informou a polícia.
Em nota, a defesa dos investigados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, afirmou: “os mesmos elementos informativos e laudos periciais constantes do Inquérito permitem conclusões jurídicas e fáticas diversas, razão pela qual aguardará a análise do Ministério Público e exercerá o contraditório no momento oportuno”.
O inquérito segue agora sob análise do MP-PR para eventual oferecimento de denúncia.