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O pai e a avó da Crianças Eduarda Shigematsu são julgados em sessão do Tribunal do Júri em Maringá, sete anos após o crime ocorrido em 2019. Ricardo Seidi enfrenta denúncia por homicídio qualificado (uso de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e qualificadora de feminicídio), ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Terezinha de Jesus Guinaia responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A expectativa é de que o júri ocupe mais de um dia; a defesa de Ricardo informou ao g1 que o julgamento tem previsão de duração superior a três dias e afirmou que se manifestará apenas em Plenária.
Eduarda, então com 11 anos, desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia (Norte do Paraná). Segundo o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), imagens de câmeras mostraram a menina chegando à casa da família às 11h52, mas não há registro dela saindo do imóvel.
No dia 25 de abril de 2019, a avó paterna registrou boletim de ocorrência informando o desaparecimento. O corpo foi encontrado em 28 de abril, por volta das 14h30, enterrado nos fundos de uma casa de propriedade da família após denúncia anônima à Polícia Militar. A perícia constatou que a Crianças morreu por esganadura; o corpo apresentava pés e mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida por um saco preto e uma toalha, segundo informou o delegado Ricardo Jorge à época.
Ricardo havia declarado que encontrou a filha enforcada e que, em desespero, teria deslocado e ocultado o corpo em outro imóvel, onde o teria enterrado; a versão foi contestada pela perícia e por imagens que mostram a chegada do pai ao imóvel onde o corpo foi encontrado no mesmo dia do desaparecimento. Em 29 de abril de 2019, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de Ricardo, posteriormente convertida em preventiva. Terezinha foi presa em 30 de abril e, depois de 57 dias, passou a aguardar o julgamento em liberdade.
Em nota enviada ao g1, os advogados de Ricardo Seidi afirmaram que irão se manifestar somente em Plenária, dizendo confiar em um julgamento técnico e na análise das provas, e mencionaram que as teses defensivas estão amparadas em laudos periciais e em contradições identificadas na investigação.
A defesa de Terezinha informou ao g1 que aguarda absolvição. Segundo a nota da defesa, na primeira fase do processo o juízo impronunciou Terezinha, o que equivaleria a uma absolvição, mas o Tribunal de Justiça determinou que ela fosse submetida ao julgamento pelo Tribunal do Júri.
O g1 observa que a qualificadora de feminicídio foi incluída na denúncia porque, segundo G1, a figura do feminicídio tornou-se crime autônomo em 2024 pela lei nº 14.994; o homicídio contra Eduarda ocorreu em 2019.
O julgamento seguirá com a oitiva de testemunhas e os interrogatórios dos acusados, conforme previsão processual mencionada pelas partes.