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Um dos grandes nomes da literatura contemporânea, vencedor de três prêmios Jabuti, o amazonense Milton Hatoum, de 73 anos, tomou posse na noite de sexta-feira, 24 da cadeira de número seis da Academia Brasileira de Letras (ABL), que pertencia ao jornalista Cícero Sandroni, morto em junho do ano passado. Hatoum é autor de nove livros de ficção, além de tradutor, professor e arquiteto. Entre 2008 e 2022, foi colunista do Estadão, onde escrevia sobre literatura e cidades.
“Não tenho pendor à imortalidade, não estava no meu horizonte ser imortal”, afirmou, bem-humorado. “Acho que imortais são os clássicos, e nunca tive pretensão de escrever clássicos.” Ele contou que foi persuadido e incentivado por colegas como a escritora Ana Maria Machado, que relembrou o início das sondagens em seu discurso de boas vindas ao novo colega de imortalidade. Na época dessa sondagem, ele estava envolvido na concepção da trilogia O Lugar mais Sombrio, drama familiar ambientado durante a ditadura militar. A série é composta por A Noite da Espera (2017), Pontos de Fuga (2019) e Dança dos Enganos (2025).
Saudado como um “escritor escritor” em uma instituição cada vez mais aberta a profissionais de outras atividades, Hatoum elogiou a diversidade, mas lembrou a natureza da ABL: “É uma Academia Brasileira de Letras, a casa de Machado de Assis”, disse. “Não necessariamente é preciso privilegiar a literatura, mas ela precisa ter um lugar cativo. O meu esforço, e o que venho fazendo desde que publiquei meu primeiro romance, é falar sobre literatura, tentar formar leitores.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.