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O Brasil ficou de fora da lista dos países mais competitivos da América Latina para atrair milionários. Apenas três nações da região aparecem entre os destinos preferidos por investidores e famílias de alta renda: Uruguai, Panamá e Costa Rica. O ranking foi divulgado pela consultoria Henley & Partners no relatório Henley Private Wealth Migration Report 2026. As informações são da Gazeta do Povo.
O estudo avaliou 38 indicadores em 12 dimensões, como tributação, estabilidade política, segurança jurídica e qualidade de vida. O Uruguai obteve nota 71,8, Panamá ficou com 71,5 e Costa Rica com 70,2. O Brasil recebeu 64,2 pontos e foi classificado entre os países que enfrentam desafios persistentes para competir pela atração de riqueza global.
Segundo Leonardo Vieira, especialista em Direito Empresarial e sócio do Vieira e Serra Advogados, famílias de alta renda buscam previsibilidade e proteção patrimonial. Medidas recentes, como o Imposto Mínimo (mecanismo criado para compensar a isenção do IR até R$ 5 mil), a tributação de dividendos e discussões sobre taxação de grandes fortunas criam incerteza. “Esse público não decide apenas onde pagará menos imposto, mas onde conseguirá planejar melhor os próximos vinte ou trinta anos”, afirma.
O Uruguai lidera na América Latina principalmente pela combinação entre estabilidade política e políticas para atrair residentes de alta renda. O país recebeu fluxo relevante de empresários vindos da Argentina e do Brasil na última década. Entre os diferenciais estão o respeito ao Estado de Direito e um regime tributário territorial, que isenta por período determinado a tributação sobre rendimentos obtidos no exterior por novos residentes fiscais.
O Panamá mantém a posição de principal centro financeiro da América Latina. O desempenho se deve à economia dolarizada, ao regime tributário territorial e à ausência de controles cambiais. A facilidade para obter residência permanente e a infraestrutura financeira consolidada ao longo de décadas atraem escritórios familiares e holdings patrimoniais.
Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil tem elevada carga regulatória, menor previsibilidade institucional e estrutura tributária complexa. Flávio Molinari, tributarista sócio do Collavini Borges Molinari Advogados, afirma que a falta de previsibilidade jurídica mina a confiança de investidores. A reforma tributária, que começa a valer em 2027, tem custos de adaptação no curto e médio prazo.
Molinari também aponta questões políticas que influenciam a falta de atratividade, como o cenário eleitoral e a polarização. Há ainda questões econômicas: o aumento do endividamento público e a baixa aderência da classe política para realizar reformas estruturais que contribuam para o desenvolvimento do país.
A Costa Rica fecha a lista dos destaques latino-americanos. O país atrai principalmente investidores que buscam combinar preservação patrimonial e bem-estar, reunindo estabilidade democrática, baixos níveis de tensão geopolítica e indicadores sociais superiores aos da maior parte da América Latina.
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