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Descubra como um ortopedista pode ajudar no tratamento da dor

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Uma dor no joelho ao descer escadas pode parecer um incômodo banal, até o dia em que levantar do sofá exige apoiar as duas mãos no braço da poltrona. O mesmo vale para a lombar que “trava” depois de carregar uma caixa ou para o ombro que acorda a pessoa às 3 da manhã quando ela vira na cama. Dor é uma experiência individual, mas não deve ser tratada como um diagnóstico em si. Ela é um sinal, e o trabalho ortopédico começa justamente por descobrir de onde esse sinal vem.

Nós avaliamos ossos, articulações, músculos, tendões, ligamentos e, em várias situações, sua relação com nervos e hábitos de movimento. Nem toda dor precisa de cirurgia, ressonância magnética ou repouso absoluto. Aliás, uma lição frequente na prática é que “esperar passar” por semanas, tomando analgésico por conta própria, pode atrasar uma recuperação que seria mais simples no início. O cuidado correto combina investigação cuidadosa, metas realistas e um plano que caiba na vida real da pessoa.

Buscas por ortopedistas crescem cada vez mais no Brasil

O aumento das buscas por ortopedistas acompanha a expansão dos problemas musculoesqueléticos entre os brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, a parcela de adultos com problemas crônicos de coluna passou de 18,5% em 2013 para 21,6% em 2019. 

Em números absolutos, o contingente subiu de 27 milhões para 34,3 milhões de pessoas. O crescimento indica uma população maior convivendo com lombalgia, limitações de movimento e outros sintomas que frequentemente levam à procura por avaliação especializada. 

Doenças osteomusculares pressionam os serviços de saúde

A pressão também aparece nos dados sobre incapacidade e utilização dos serviços de saúde. Entre 2021 e 2025, as concessões de benefícios por doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo passaram de 341.805 para mais de 1 milhão, segundo o Ministério da Previdência. No SUS, as cirurgias ortopédicas cresceram 67,5% entre 2022 e 2025, avançando de 494,8 mil para 829 mil procedimentos. 

Os números não representam apenas pessoas buscando tratamento para dor, pois incluem diferentes doenças, lesões e efeitos da ampliação da oferta assistencial. Ainda assim, mostram que os problemas do aparelho locomotor geram demanda relevante por diagnóstico, acompanhamento, reabilitação e intervenção especializada em todo o país. Essa pressão tende a permanecer elevada nos próximos anos, segundo especialistas em saúde pública.

Envelhecimento deve manter a tendência

Na saúde suplementar, a ortopedia já aparece entre as especialidades mais procuradas. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que traumatologia-ortopedia respondeu por 8,65% das consultas médicas ambulatoriais com especialidade informada no segundo trimestre de 2025, ocupando a quinta posição. 

A tendência deve ser reforçada pelo envelhecimento da população: o número de brasileiros com 65 anos ou mais aumentou 57,4% entre 2010 e 2022, chegando a 22,2 milhões. Como osteoartrite, desgaste da coluna, fragilidade óssea e quedas tornam-se mais frequentes com a idade, cresce também a necessidade de acompanhamento para controlar a dor, preservar a mobilidade e evitar perda de autonomia.  

Quando A Dor Pode Precisar De Avaliação Ortopédica

A avaliação com um ortopedista costuma ser indicada quando a dor persiste por mais de 7 a 14 dias, volta sempre que a atividade é retomada ou começa a limitar tarefas do dia a dia, como caminhar pequenas distâncias, dirigir, carregar objetos ou dormir sem interrupções por causa do desconforto.

Também merecem atenção dores após quedas, torções, acidentes ou impactos diretos, principalmente quando são acompanhadas de inchaço importante, deformidade, perda de força, sensação de instabilidade, estalos com travamento da articulação ou formigamento que se irradia para braços ou pernas. Uma pessoa que torce o tornozelo, por exemplo, pode conseguir caminhar no mesmo dia e, ainda assim, apresentar uma lesão ligamentar que exige tratamento específico.

Na hora de buscar atendimento, vale priorizar um serviço que conte com profissionais especializados, experiência no diagnóstico e tratamento de diferentes lesões musculoesqueléticas, acesso a exames quando necessários e acompanhamento durante a recuperação. Contar com um ortopedista experiente ajuda a identificar a causa da dor com maior precisão, definir o tratamento mais adequado para cada caso e orientar o retorno seguro às atividades.

Há situações, no entanto, que exigem atendimento imediato e não devem aguardar uma consulta eletiva. É o caso de incapacidade de movimentar um membro após um trauma, dor intensa acompanhada de alteração da circulação (membro frio ou pálido), feridas com exposição óssea, perda do controle urinário ou intestinal associada à dor lombar e fraqueza nas pernas, ou ainda febre acompanhada de uma articulação muito quente, vermelha e inchada. Nesses casos, a recomendação é procurar um serviço de urgência.

Outra ressalva importante é que nem toda dor tem origem ortopédica. Sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio, dor abdominal intensa ou mal-estar geral podem estar relacionados a problemas cardíacos, vasculares, infecciosos ou de outros órgãos. Um bom especialista também sabe reconhecer quando a causa dos sintomas não é musculoesquelética e encaminhar o paciente para a avaliação médica mais adequada.

Como O Ortopedista Identifica A Causa Da Dor

Encontrar a causa da dor não é simplesmente localizar o ponto que dói e pedir um exame. A imagem pode mostrar alterações que existem há anos e não causam sintomas: por outro lado, um tendão irritado pode doer bastante sem apresentar uma mudança dramática em uma radiografia. Por isso, construímos o diagnóstico juntando história, exame físico e testes complementares apenas quando eles podem mudar a decisão.

O objetivo é separar situações parecidas à primeira vista. Dor na lateral do quadril pode vir de tendões, da bursa, da coluna lombar ou até de alteração na marcha por um problema no joelho. Tratar apenas o lugar dolorido, sem essa distinção, é uma fonte comum de frustração.

Consulta, Exame Físico E Histórico Clínico

Na consulta, perguntamos quando a dor começou, se houve trauma, qual movimento a piora, se há dor noturna, rigidez ao acordar e o que já foi tentado. Detalhes aparentemente pequenos ajudam muito: a dor apareceu após aumentar a corrida de 3 para 8 quilômetros? Começou depois de duas tardes montando móveis no chão? Piora ao levantar da cadeira, mas melhora após alguns passos?

Também investigamos doenças prévias, cirurgias, medicamentos em uso, histórico de osteoporose, diabetes, artrite e quedas. Uma dor no ombro em alguém que usa corticoide de forma prolongada, por exemplo, pede um raciocínio diferente de uma dor após um treino de natação.

Em seguida, observamos postura, marcha, inchaço, temperatura da pele, amplitude de movimento, força e sensibilidade. Palpamos pontos específicos e aplicamos manobras que tensionam ou comprimem estruturas determinadas. Comparar os dois lados do corpo é útil: uma diferença de poucos graus de movimento pode ser normal para uma pessoa, mas uma perda súbita de força em um lado não deve ser banalizada.

O relato do paciente não é “subjetivo demais”. Ele é dado clínico. A escala de 0 a 10 ajuda a acompanhar evolução, mas perguntamos também o impacto funcional: quantos degraus consegue subir, por quanto tempo consegue permanecer em pé e quais atividades deixou de fazer.

Exames De Imagem E Outros Testes Quando Necessários

A radiografia costuma ser o primeiro exame após trauma e é muito útil para avaliar fraturas, desalinhamentos, artrose e algumas alterações ósseas. Ela não mostra bem meniscos, ligamentos e vários tendões. Para essas estruturas, ultrassonografia ou ressonância magnética podem ser mais adequadas, dependendo da região e da hipótese diagnóstica.

A tomografia fornece grande detalhe do osso e pode ser decisiva em fraturas complexas ou no planejamento cirúrgico, mas envolve radiação. Já a ressonância não usa radiação ionizante, porém não é automaticamente “o melhor exame”: custa mais, pode encontrar alterações sem relevância clínica e nem sempre muda a conduta inicial.

Aprendemos a ser cautelosos com o impulso de pedir uma ressonância para toda lombalgia. Em muitos quadros sem sinais de alarme, as primeiras semanas são conduzidas com exame clínico, controle da dor e retorno gradual ao movimento. O exame é indicado quando há suspeita específica, déficit neurológico, trauma relevante, persistência apesar do tratamento ou necessidade de planejar intervenção.

Podemos solicitar exames de sangue quando há suspeita de inflamação sistêmica, infecção ou doença metabólica, e eletroneuromiografia em alguns casos de formigamento e perda de força. O teste certo responde a uma pergunta clínica: uma pilha de laudos, sozinha, raramente responde.

Principais Tipos De Dor Tratados Pela Ortopedia

A ortopedia trata dores relacionadas ao sistema musculoesquelético, desde uma lesão aguda até desgaste progressivo. Entre as queixas mais frequentes estão lombalgia e cervicalgia mecânicas: dor no ombro por tendinopatias, bursite, instabilidade ou lesões do manguito rotador: dor no cotovelo, como epicondilite: e dores no punho e na mão, incluindo síndrome do túnel do carpo e tendinites.

Nos membros inferiores, avaliamos dor no quadril, joelho, tornozelo e pé. Artrose pode causar dor que piora com carga e rigidez após ficar parado. Lesões de menisco e ligamentos podem provocar derrame, falseio ou bloqueio articular. Fascite plantar frequentemente se manifesta nos primeiros passos da manhã, como se houvesse uma pedra sob o calcanhar. Fraturas por estresse merecem atenção em quem aumentou bruscamente o volume de corrida, dança ou caminhada.

Também acompanhamos sequelas de fraturas, lesões esportivas, dores por sobrecarga ocupacional e alterações da coluna, como hérnia de disco com dor irradiada. Mas evitamos rótulos apressados. Nem toda dor que irradia para a perna é ciática, e nem toda dor no joelho vem do joelho: quadril, pé e coluna podem alterar a mecânica da marcha.

Crianças, adolescentes e idosos exigem ainda mais cuidado. Em fase de crescimento, dor persistente merece investigação: em pessoas idosas, uma queda aparentemente leve pode causar fratura, especialmente na presença de osteoporose.

Tratamentos Conservadores Para Aliviar A Dor

Na maior parte dos casos, o primeiro caminho é conservador: aliviar os sintomas, proteger a estrutura em recuperação e restaurar movimento e força sem procedimentos invasivos. “Conservador” não significa passivo nem lento por definição. Um plano bem desenhado estabelece o que reduzir temporariamente, o que manter e quando reavaliar.

Isso é importante porque dois extremos costumam atrapalhar. Forçar um treino intenso apesar de dor crescente pode transformar uma irritação de tendão em um problema prolongado. Mas parar completamente por meses pode reduzir força, mobilidade e confiança para se movimentar. A dose certa de atividade depende do diagnóstico, do estágio da lesão e da resposta nas 24 horas seguintes ao esforço.

Medicamentos, Repouso Orientado E Mudanças De Hábitos

Analgésicos e anti-inflamatórios podem reduzir dor e permitir que a pessoa volte a dormir ou inicie fisioterapia, mas não “consertam” ligamentos, cartilagem ou tendões. Prescrevemos conforme o quadro e o histórico clínico. Anti-inflamatórios, por exemplo, podem aumentar risco de sangramento, irritar o estômago, elevar a pressão arterial ou afetar os rins em pessoas suscetíveis. Não é uma boa ideia usar o comprimido que sobrou de uma receita antiga ou combinar medicamentos sem orientação.

O repouso orientado é diferente de imobilização indiscriminada. Após uma torção leve, pode ser necessário evitar corrida e saltos por alguns dias, mantendo exercícios seguros de mobilidade. Em outros casos, uma órtese, tipoia ou bota imobilizadora é essencial por um período definido. Usar tipoia por mais tempo do que o recomendado pode endurecer o ombro: abandonar a bota antes da hora pode prejudicar a cicatrização.

Mudanças práticas têm peso real: ajustar a altura da cadeira, alternar 30 a 40 minutos sentado com pequenas pausas, rever calçado gasto, diminuir temporariamente a carga de agachamento ou organizar o posto de trabalho. Não são soluções mágicas, mas reduzem a repetição do gatilho enquanto tratamos a causa.

Fisioterapia, Exercícios E Reabilitação Personalizada

A fisioterapia transforma o diagnóstico em capacidade funcional. Em vez de apenas “fortalecer”, o programa pode trabalhar mobilidade, controle motor, equilíbrio, resistência, coordenação e retorno progressivo à atividade. Em muitos casos, a recuperação também passa por exercícios de saúde para fortalecer os músculos e articulações, desde que sejam escolhidos conforme o diagnóstico, a intensidade da dor e a resposta do corpo ao esforço. 

Metas mensuráveis ajudam. Para alguém que trabalha em pé, a meta inicial pode ser tolerar 15 minutos sem aumento relevante da dor: depois, 30 minutos: mais adiante, completar o turno com pausas planejadas. Para quem sofreu uma entorse, caminhar sem mancar vem antes de correr em linha reta: correr vem antes de mudar de direção e saltar.

Há uma verdade pouco glamourosa: a reabilitação exige repetição. Exercícios feitos duas vezes e abandonados na semana seguinte dificilmente produzem adaptação. Ao mesmo tempo, dor forte, inchaço novo ou piora que permanece até o dia seguinte são sinais para ajustar a carga, não para “aguentar firme”. Nós alinhamos esse limite com o fisioterapeuta e reavaliamos o plano quando a evolução foge do esperado.

O tratamento também precisa respeitar rotina, orçamento e acesso. Um protocolo perfeito no papel, mas impossível para quem cuida de filhos pequenos ou trabalha 10 horas por dia, não é um bom protocolo.

Infiltrações E Procedimentos Minimamente Invasivos

Infiltrações podem ser consideradas quando a dor persiste apesar de medidas iniciais bem executadas ou quando é necessário reduzir uma inflamação localizada para viabilizar a reabilitação. Dependendo do diagnóstico, podem ser usados anestésicos, corticoides, ácido hialurônico ou outras substâncias. A indicação não é igual para todas as articulações e todos os tipos de dor.

Em muitos casos, realizar o procedimento guiado por ultrassonografia aumenta a precisão ao visualizar tendões, bursas, articulações ou bainhas nervosas. Ainda assim, precisão não elimina riscos. Pode haver dor transitória após a aplicação, sangramento, infecção, reação alérgica e, em infiltrações repetidas com corticoide, enfraquecimento de tecidos em situações específicas. Pessoas com diabetes podem apresentar elevação temporária da glicemia após corticoide e devem receber orientação individualizada.

Não vendemos infiltração como cura instantânea. Ela pode aliviar a dor por um intervalo útil, mas o resultado duradouro costuma depender da reabilitação, do controle de carga e da causa de base. Aplicar injeções em sequência sem revisar o diagnóstico é um erro que vemos com preocupação.

Outros procedimentos minimamente invasivos, como aspiração de líquido articular, bloqueios selecionados ou tratamentos percutâneos, têm indicações próprias. A decisão deve incluir benefício esperado, alternativas, efeitos adversos, custo e um plano claro para o período posterior.

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