Newsletter Subscribe
Enter your email address below and subscribe to our newsletter
Enter your email address below and subscribe to our newsletter







O fenômeno El Niño alcançou uma intensidade inédita para o mês de julho, segundo análise da MetSul Meteorologia baseada em dados de monitoramento do Oceano Pacífico e em projeções de centros internacionais de previsão climática.
O aquecimento das águas na região central-leste do Pacífico, parâmetro usado para caracterizar o fenômeno, já supera +2°C, um patamar associado aos episódios mais intensos já registrados.
A avaliação da empresa é de que o evento de 2026-2027 pode se tornar o mais forte desde o início das medições instrumentais, caso as projeções para os próximos meses se confirmem.
Especialistas, porém, ressaltam que previsões de longo prazo carregam incertezas e que a intensidade final do fenômeno dependerá da evolução das condições oceânicas e atmosféricas ao longo do segundo semestre.
Segundo a MetSul, as anomalias da temperatura da superfície do mar na chamada região Niño 3.4, área de referência utilizada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) para monitorar o fenômeno, estão entre +2,1°C e +2,2°C.
Embora a expressão “Super El Niño” não seja uma classificação oficial, ela costuma ser utilizada para descrever episódios em que as anomalias superam +2°C na região.
O dado chama atenção porque esse nível de aquecimento foi atingido ainda em julho. Nos grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2023-2024, esse patamar só foi alcançado entre setembro e novembro.
No episódio de 2015-2016, outro dos mais intensos da série histórica, isso ocorreu apenas em meados de setembro.
Para a MetSul, nunca houve um episódio que atingisse intensidade tão elevada tão cedo no calendário.
+ Perito Moreno, geleira símbolo da Patagônia, sucumbe ao aquecimento global
As projeções mais recentes de modelos climáticos internacionais também apontam para um fortalecimento adicional do fenômeno durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul.
A mediana dos principais modelos indica que o Índice Oceânico de El Niño (ONI) poderá atingir aproximadamente +3,6°C no final de 2026. Caso isso se confirme, o valor superaria o recorde observado no evento de 1997-1998, considerado um dos mais intensos da era moderna.
Alguns modelos isolados projetam aquecimento ainda maior, entre +4°C e +5°C. Esses cenários, entretanto, representam estimativas extremas e ainda precisam ser confirmados nas próximas rodadas de previsão.
Centros internacionais como a NOAA, o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) acompanham continuamente a evolução do fenômeno e atualizam suas projeções à medida que novos dados são incorporados.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
No Brasil, seus efeitos variam conforme a região. Em geral, o Sul tende a registrar precipitações acima da média e maior frequência de tempestades, enquanto partes do Norte e do Nordeste costumam enfrentar redução das chuvas e períodos mais prolongados de estiagem.
Os impactos, no entanto, variam conforme a intensidade do fenômeno e a interação com outros sistemas atmosféricos.
Se o atual cenário se mantiver, a MetSul projeta aumento expressivo da ocorrência de eventos extremos nos próximos meses, especialmente na Região Sul.
Entre os principais impactos esperados estão:
Chuvas acima da média durante a primavera e o verão;
Maior frequência de episódios de precipitação extrema;
Aumento do risco de enchentes e inundações;
Ocorrência mais frequente de temporais com vendavais e granizo.
A influência do El Niño também costuma elevar as temperaturas médias globais, embora cientistas ressaltem que o aquecimento provocado pelo fenômeno se soma ao avanço das mudanças climáticas induzidas pelas emissões de gases de efeito estufa.
Apesar dos sinais de fortalecimento, meteorologistas destacam que projeções para vários meses à frente possuem margem de incerteza.
A intensidade definitiva do fenômeno dependerá da persistência do aquecimento do Pacífico e da resposta da atmosfera ao longo do segundo semestre.
A NOAA considera que a caracterização de um evento de El Niño depende não apenas da temperatura do oceano, mas também do acoplamento entre oceano e atmosfera.
Por isso, os modelos são revisados continuamente conforme novas observações se tornam disponíveis.
Assim, embora o cenário atual seja considerado excepcional para esta época do ano e aumente a probabilidade de um evento histórico, ainda será necessário acompanhar a evolução das condições climáticas nos próximos meses para confirmar se o El Niño de 2026-2027 estabelecerá um novo recorde de intensidade.
Fonte do Artigo
See more: The Global Track