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Pressionado pela inadimplência, o Santander Brasil teve um lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado representa uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 20,4% na comparação com os três primeiros meses de 2026.
O lucro veio abaixo do esperado pelo mercado. Analistas consultados pela Bloomberg previam ganho de R$ 3,723 bilhões.
O mercado reage negativamente. Às 10h40, os papéis do Santander na Bolsa brasileira recuavam 6%, a R$ 25,99 cada um.
Esse é o primeiro resultado a ser apresentado na gestão do novo presidente do Santander, Gilson Finkelsztain, que até o fim do primeiro semestre comandava a B3, a Bolsa de Valores brasileira. O executivo substituiu Mario Leão em 1º de julho na missão de recuperar a rentabilidade do banco. Como não teve participação nas operações do banco no ssegundo trimestre, o executivo ficou de fora da conferência da intituição com analistas de mercado.
Antes de comandar a Bolsa, Finkelsztain trabalhou nos mercados de câmbio, renda fixa, renda variável e commodities na antiga Cetip, que hoje faz parte da B3, no J.P. Morgan, no Citibank, no Bank of America Merrill Lynch e no próprio Santander, onde ficou de 2011 a 2013.
Segundo Carlos Ignacio Muñiz Gonzalez Blanch, diretor de relações com investidores do banco, uma melhora no resultado deve vir só em 2027, dado o atual cenário de juros altos.
O executivo, responsável por apresentar os resultados no trimestre, o novo Desenrola pouco impactou a recuperações de crédito, apesar de ter sido superior à primeira edição do programa. O banco apontou que houve pouca adesão por parte dos clientes inadimplentes.
Na comparação anual, o índice de inadimplência aumentou em todos os segmentos, totalizando 3,3%, ante 2,6%. Em três meses, o índice permaneceu estável.
Em pessoas físicas, essa margem de atraso com mais de 90 dias foi para 5,1%, de 4% há 12 meses, e, em pessoas jurídicas, para 1,6%, de 1,2%. No recorte de pequenas e médias empresas, o índice subiu para 5,3%, de 4,1%. Em atacado (grandes empresas), o índice foi de 0,1% para 0,2%.
O banco cita que o resultado é puxado pelos segmentos de baixa renda e agronegócio, “em um cenário econômico ainda desafiador e de elevado nível de endividamento”.
Considerando todos os bancos, o índice de atrasos no Brasil está em 4,74%, de acordo com dados do Banco Central de maio. Este é o maior percentual da série histórica iniciada em 2011.
Com a piora nos pagamentos, a PDD (provisão contra devedores duvidosos), ou seja, a proteção contra calotes, aumentou 11,5% no ano, para R$ 7,654 bilhões.
“A dinâmica reflete um ambiente de crédito ainda desafiador, com efeitos mais concentrados em carteiras específicas, incluindo empresas, agronegócio e segmento massivo, bem como alguns efeitos pontuais, como a mudança na regra de baixa para prejuízo e alguns reforços de provisão para casos do atacado”, diz o relatório.
O banco emprestou um pouco menos para pessoas físicas e mais para pessoas jurídicas em linhas de financiamento de consumo, como veículos.
A carteira de crédito total do banco terminou junho em R$ 714,77 bilhões, um avanço de 5,8% no ano e de 1,3% no trimestre.
“Mantivemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade”, afirma o Santander.
A margem financeira, por sua vez, somou R$ 15,34 bilhões no segundo trimestre, queda de 3% em três meses e de 0,4% no ano. Segundo a instituição, o recuo se deve a um menor spread, já que emprestou menos a clientes mais arriscados —spread é a diferença entre os juros que o banco cobra ao emprestar dinheiro e a taxa que ele paga aos investidores para captar dinheiro no mercado.
Assim, a rentabilidade do Santander mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) ficou em 12,5%, uma queda de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 3,8 pontos percentuais na comparação anual.
Lucro líquido: R$ 3 bilhões
ROAE: 12,5%
Funcionários: 47.327
Agências: 858
Clientes: 76,2 milhões
Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank
Fonte do Artigo
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