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Imagem representando Amorim afirma que vídeo do governo Trump mira o Brasil

Amorim afirma que vídeo do governo Trump sobre domínio dos EUA nas Américas tem como alvo o Brasil

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O embaixador Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, declarou em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden), no dia 12, que o vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que reforça o domínio americano no Hemisfério Ocidental, mira também o Brasil como alvo. Segundo ele, o material tenta relativizar a soberania dos países latino-americanos, incluindo o Brasil.

O vídeo, lançado em 11 de julho, retoma a Doutrina Monroe e reitera que o domínio americano na região nunca deve ser questionado. Apesar de não mencionar o Brasil explicitamente, Amorim alerta que a intenção é clara no que diz respeito à soberania do país.

Contexto da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA

Amorim destacou que a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA traz uma novidade em sua centralidade no Hemisfério Ocidental, conceito usado pelos americanos para se referir às Américas. O documento norte-americano reafirma e pretende implementar os princípios da Doutrina Monroe para fortalecer a preeminência dos EUA na região e garantir seus interesses estratégicos.

Entre os objetivos destacados pelo ex-chanceler estão o fortalecimento da segurança nacional contra ameaças regionais, expansão do acesso a recursos críticos e contenção da influência de potências externas.

Relações bilaterais e tensões diplomáticas

Amorim classificou o conteúdo do vídeo do Departamento de Estado, apresentado pelo embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, como educativo sobre os riscos de possíveis ações militares dos EUA em outros países da região. Ele citou episódios como a Operação Resolução Absoluta, que autorizou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, episódio qualificado como sequestro e prisão pelo ex-chanceler.

Segundo Amorim, há uma opacidade por parte dos EUA para diálogo real com o Brasil, e o governo brasileiro busca manter autonomia e independência, rejeitando alinhamentos automáticos ou parcerias excludentes. O ex-ministro também afirmou que as medidas dos EUA contra o Brasil têm se caracterizado por uma escalada de hostilidades políticas.

Questões sobre embaixador e facções criminosas

O assessor especial confirmou que o presidente Lula decidiu não conceder aprovação a novos embaixadores estrangeiros até o fim das eleições, citando como exemplo a controvérsia envolvendo a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador americano. Amorim criticou a violação das regras diplomáticas por parte dos EUA e a falta de consulta prévia ao Brasil.

Em relação à classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos EUA, Amorim manifestou oposição, destacando principalmente o risco de justificar intervenções militares externas em nome do combate ao narcoterrorismo. Ele ressaltou que a classificação prejudicou operações da Polícia Federal e pode impactar setores econômicos brasileiros.

Visita russa e posicionamento diplomático do Brasil

Amorim comentou ainda sobre a visita de Nikolai Patrushev, enviado do presidente russo Vladimir Putin, dizendo que faz parte da estratégia brasileira de diálogo com grandes potências. O encontro incluiu discussões sobre cooperação naval e interesses econômicos, sem preferência ideológica.

Sobre a conduta do governo brasileiro frente a crises na América Latina, como na Nicarágua, Amorim afirmou que o Itamaraty manifestou preocupação à decisão do regime Ortega de não realizar eleições, ressaltando que o Brasil não mantém embaixador em Manágua devido a atividades negativas do governo local.

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