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Segundo a BBC, seis pessoas — entre elas três alunos — foram mortas em al-Mughayyir neste ano. Um dos casos citados é o do estudante de 14 anos Aws al-Naasan, que foi morto a tiros por um colono junto ao portão da escola em abril.
Professores relataram que, durante o ataque em abril, alunos correram para avisar a presença de colonos junto ao muro da escola. O docente Waheed Abu Naem contou que tentou levar os estudantes para dentro do pátio quando foram disparados tiros; ele afirmou ter visto o aluno Aws com um ferimento na cabeça. A reportagem registra também que, ao longo do verão, dois outros alunos foram mortos por tiros de forças israelenses durante incursões e ataques de colonos, além de um jovem de 19 anos que havia deixado a escola.
Moradores e equipes médicas locais disseram à BBC que percebem uma mudança no comportamento das forças israelenses ao longo do último ano, com menos intervenções contra colonos e, na visão desses residentes, mais proteção às incursões. Hadi al-Naasan, socorrista citado pela reportagem, afirmou que em 2026 os colonos passaram a ser “totalmente protegidos” pelos soldados, e que o número de mortos e feridos aumentou, inclusive entre crianças.
Para tentar reduzir o temor, o diretor Bassam al Assaf instalou arame farpado e reforçou os portões da escola; ambulâncias foram posicionadas na estrada externa e vários pais se voluntariaram a permanecer fora do colégio como forma de proteção, relata a BBC. Professores repetiram instruções aos alunos no primeiro dia: não gritar, não se aproximar de soldados ou colonos e não reagir.
Mesmo assim, alguns pais hesitaram em enviar os filhos às aulas devido às três carteiras vazias na sala — reflexo das mortes ocorridas na comunidade.
A BBC registra que, na ocasião do ataque em abril, o Exército israelense disse que pedras foram lançadas contra um carro que transportava civis, incluindo um reservista, e que o reservista saiu do veículo e atirou em suspeitos; a imprensa israelense noticiou posteriormente a suspensão do reservista e a abertura de investigação. A reportagem também cita que o conselho regional de colonos afirmou que um soldado fora de serviço foi preso sob suspeita de envolvimento em um dos tiroteios e divulgou declaração na qual “lamenta qualquer dano a pessoas inocentes, judeus ou árabes, e se opõe a qualquer ato de violência que viole a lei”.
A reportagem lembra que, segundo o direito internacional citado pela BBC, todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são considerados ilegais, e que muitos assentamentos e acampamentos surgidos ao redor de al-Mughayyir também são ilegais sob a legislação israelense.
A BBC cita um relatório de uma Comissão de Inquérito da ONU, publicado em junho, que afirma que ataques de colonos “instrumentalizaram crianças como parte de uma estratégia coercitiva mais ampla para forçar os palestinos a deixarem suas terras” e descreve um padrão de colonos “intencionalmente visando crianças”. O governo de Israel rejeitou o relatório, qualificando-o como “calunioso”.
Ainda conforme dados mencionados pela reportagem, a ONU registrou, desde o início de 2025 até o fim de julho de 2026, 316 palestinos mortos por forças israelenses ou colonos e mais de 5.600 feridos; no mesmo período a ONU contabilizou 20 israelenses mortos e 123 feridos.