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Categoria exclusiva da Tribuna do Paraná, seis Tesouros Populares foram eleitos pelo comitê de especialistas, formadores de opinião e entusiastas da gastronomia e revelados nesta noite de terça-feira (26) no Prêmio Bom Gourmet 2025. Com olhar crítico e detalhista, doze lugares que já foram reportagem nas colunas Rango Barateza e Caçador de Boteco foram previamente selecionados para fazer parte do inédito e seleto grupo.
Após reuniões e debate entre o comitê de especialistas, que votaram e julgaram criteriosamente os lugares, seis restaurantes e botecos foram homenageados nesta noite de terça pelo seu apreço popular, valor afetivo, cultura e identidade com o povo curitibano.
Para a editora de jornalismo e idealizadora da coluna Rango Barateza, Eloá Cruz, homenagear lugares em que o curitibano tem um carinho especial pelo tempero, pela simplicidade democratiza a arte da gastronomia. “Comer bem também é uma experiência que deve ser acessível a todos e esta categoria inédita do Prêmio Bom Gourmet 2025 reforça justamente essa ideia”, ressalta.
O colunista Gustavo Marques, que dá vida ao Caçador de Boteco, acredita ser fundamental a valorização de bares e botecos tradicionais de Curitiba com o Prêmio Bom Gourmet. “Os botecos mostram a verdadeira face do Brasil, e encontrar comércios com 80 ou 90 anos abertos é uma honra. Curitiba está muito bem servida de estabelecimentos, e o Prêmio Bom Gourmet valoriza e reconhece esses espaços que continuam com as mesmas famílias da fundação. Tesouro descoberto precisa ser mostrado, né”?.
Localizado na Rua São Francisco, bem na região histórica e boêmia de Curitiba, o restaurante oferece há anos o clássico cardápio de segunda a sábado, no horário do almoço. Inaugurado em 1955 por Secondino Muiños que veio da Espanha, da região da Galícia, segue firme e com clientela fiel.
Governadores, prefeitos, vereadores, deputados. Muitos passaram pelo salão do Restaurante São Francisco. Entre as estrelas, a feijoada e o parmegiana seguem entre os mais pedidos da casa. A feijoada é bem servida, sempre às quartas e sábados para duas pessoas. O parmegiana é oferecido em duas versões, com mignon ou com alcatra a meia porção que serve até duas pessoas.
O Maneko’s foi inaugurado em 1988 no endereço que está atualmente. O seu tradicional parmegiana ganhou as redes sociais e foi replicado aos montes. A clientela sempre foi boa, o prato já era famoso, mas foi logo depois da pandemia que o bar e restaurante tradicional conquistou um novo nicho de clientela. “Muitos chefs começaram a postar o nosso parmegiana. Tudo começou com um cliente nosso, hoje já falecido, o Mario Branco. Ele teve a ideia de colocar o parmegiana no cardápio e o prato virou nosso carro chefe”, conta Manoel Alves, o Maneko.
O parmegiana é saboroso, como sempre. Um bom pedaço de bife empanado da forma tradicional, com ovos e farinha de rosca. Frito, sequinho e crocante, recebe uma boa camada de queijo muçarela. Por fim, o molho é o que dá a autenticidade dele. Tem sabor de comidinha caseira, de molho de tomate feito pela avó. Pedaços de tomate e cebola, num molho bem grosso, de maneira proposital para não deixar a crocância do parmegiana se perder.
No Missal, são vendidos em média de 500 a 700 shawarma todos os dias. O sanduíche faz sucesso na região do Centro de Curitiba e tem mais de 20 anos. o sucesso está no sanduíche todo: carne suculenta e bem temperada; salada com picles, tomate e cebola; batata frita sequinha, pão sírio sempre fresquinho. Agora junte tudo isso num lanche leve, de tamanho bom, chega rápido na mesa e vem acompanhado de dois molhos caseiros da casa – vem direto da geladeira para a mesa do cliente.
Missal, proprietário e defensor do sanduíche, costuma dizer a todos que o shawarma é uma refeição completa, simples e saudável. “Não trabalhamos com nada de fast food. Sem queijo, presunto, calabresa. O processo se repete todos os dias. Por incrível que pareça, estamos servindo sanduíches sem industrialização”, releva, orgulhoso.
O Armazém Santa Ana, no bairro Uberaba, celebrou 90 anos em maio de 2024 mantendo uma atmosfera congelada no tempo: com casa de cor laranja, balcão, prateleiras repletas de conservas, tamancos, estilingues e até objetos históricos que traduzem um verdadeiro mergulho na memória de Curitiba. O comércio, fundado pelo imigrante ucraniano Paulo Szpak em 1934, foi erguido estrategicamente à beira da principal rota entre Curitiba e Santa Catarina, servindo de ponto para tropeiros, viajantes e moradores da zona rural que precisavam comprar de tudo.
“As pessoas seguiam para Santa Catarina e faziam o lanche aqui. Já as pessoas do bairro realizavam compras de produtos para casa, ir para o centro era muito demorado. Vendia-se de tudo, desde lampião, parafina, roupas, pé de bicicleta, caixa de banana. O slogan era vende de tudo”, conta Fábio Szpak, bisneto do fundador e atual administrador do Armazém ao lado da irmã Ana.
O Bar Makiolka, fundado na década de 1920 e localizado no bairro Tingui, é considerado o “bisavô” dos bares de Curitiba — um verdadeiro templo da boemia tradicional. Administrado pela quarta geração da família Makiolka, o local mantém seu charme original: desde o piso hidráulico com mais de 90 anos até o famoso balcão vermelho, estufas, garrafas antigas, letreiros e objetos que remetem às raízes históricas da cidade. Com o fechamento do centenário Bar Stuart em dezembro de 2023, o Makiolka é o bar mais antigo em funcionamento no Paraná.
O atual responsável, Leandro Makiolka, bisneto do fundador Theodoro, ressalta a autenticidade e a memória viva do bar: “O balcão é o mesmo até hoje, foi apenas recortado. Eu tento manter a característica do bar, meu pai contou que se encomendava o piso hidráulico e ia fazendo a metragem. Aqui é uma viagem no tempo”.
Fundado em 1927, o Casa Velha, no Abranches, é o típico lugar que o cliente fica fascinado a cada olhar. São itens raros nas prateleiras como máquinas de datilografia, telefones, relógios, canecas, rádios, troféus e quadros de conquistas esportivas e botequeiras. Na maioria, doações de clientes que preservaram a história das famílias em cada canto do bar. “As pessoas sabem quem a gente vai cuidar, temos carinho pelos objetos. Esse é um dos nossos segredos: a simplicidade. Não pensamos em alterar nada, do piso ao teto. Sinto até hoje pelo balcão refrigerado de madeira que estava estragando e fui obrigado a mudar”, diz o proprietário do bar, Aloisio Fernando Mickosz.
A cozinha também mantém tradição: petiscos como o bolinho “Bola Cheia”, croquete de carne de panela, torresmo e feijoada de sábado são servidos de forma autêntica, com destaque ao uso de um elevador de petiscos que leva os pratos à mesa com sabor de casa de vó.

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