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Especialistas citados na matéria afirmam que a relação entre uma inundação no Nepal e um desastre na Índia é complexa — nem todo fluxo de água que sai das montanhas chega à planície com a mesma força, e a gravidade do impacto na Índia depende tanto do que ocorre em território Nepal's quanto das condições do lado Indian.
O Nepal tem mais de 6.000 rios e igarapés, a maioria drenando para a Índia e para o Ganges. Três sistemas principais dominam o país: Kosi, Gandaki (Gandak na Índia) e Karnali (Ghaghara na Índia); na porção oeste, a Mahakali (Sharda). Há também cerca de uma dezena de rios menores — incluindo Bagmati, Kamala, Rapti e Babai — cujas bacias pequenas e inclinadas geram cheias rápidas e imprevisíveis, segundo o Centre International para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).
Os estados indianos mais expostos são Bihar — onde cerca de três quartos do território ao norte são classificados como suscetíveis a inundações — e partes do leste de Uttar Pradesh. Trechos de Uttarakhand e do norte de Bengal também recebem rios oriundos do Nepal.
Hidrólogos descrevem o processo em três elos: primeiro, a chuva — onde e quanta; segundo, o comportamento do rio ao cruzar o sopé das montanhas e depositar sedimento; terceiro, o que a água encontra na planície Indian, como nível do Ganges, barragens, diques e drenagem obstruída.
O exemplo de 2008 no Kosi ilustra a dinâmica: quase 400 mortes ocorreram após o rompimento de um dique, mas pesquisadores citados dizem que o evento não foi um fluxo extraordinário em termos de capacidade do rio; a catástrofe se deveu ao colapso estrutural de um enchimento mal conservado, e não apenas a um pico hidrológico.
Segundo especialistas do ICIMOD mencionados pela reportagem, a Índia normalmente dispõe de cerca de 12 horas a dois dias de aviso para cheias de monção, dependendo da velocidade de escoamento; inundações-relâmpago oriundas de cursos nos Chure/Siwaliks podem chegar em poucas horas. Em um caso recente citado, o pico em Rasuwa atingiu Triveni, próximo à fronteira Indian, em cerca de sete horas e meia.
Nepal e Índia trocam dados em tempo real de chuva e níveis fluviais: o Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal alimenta a Comissão Central de Águas da Índia para previsões.
Especialistas citados na reportagem afirmam que o perigo maior para a Índia não é apenas um rio específico, mas a natureza dos eventos no Himalaia: combinações de chuva intensa, derretimento de gelo, grandes volumes de sedimento e deslizamentos que geram fluxos de detritos de alta energia, difíceis de prever e capazes de causar destruição ao longo de vales.
Dados e análises usadas neste texto foram publicados por Soutik Biswas na BBC em 3 de setembro de 2026, com material da AFP.