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Chevrolet Tracker RS agrada pelo acerto dinâmico, mas fica devendo itens importantes pelo preço cobrado
O Chevrolet Tracker RS tenta vender uma imagem mais esportiva dentro da linha do SUV compacto. E, visualmente, ele cumpre esse papel. A grade dianteira em preto brilhante, a gravatinha escurecida, o logotipo RS, as rodas de 17 polegadas com acabamento escuro e as lanternas escurecidas ajudam a deixar o carro com pegada mais “racing”.
Mas é importante separar as coisas. O RS é esportivo mais na aparência do que na mecânica em si. O conjunto é o mesmo 1.2 turbo de três cilindros usado na versão Premier, associado ao câmbio automático de seis marchas. O que muda é a proposta visual, o pacote de equipamentos e a sensação de que a Chevrolet tentou deixar essa configuração com um ar mais jovem, mas exagerou em alguns pontos.
O problema é que estamos falando de um SUV que custa na casa dos R$ 180 mil. E, nessa faixa, não dá para avaliar só visual, motor e tamanho da multimídia. É preciso olhar com atenção para o que ele entrega, para o que ficou faltando e para a experiência real ao volante. E neste último quesito, aliás, é onde você pode acabar levando um Tracker RS para casa.
Por fora, o Tracker RS me agrada. A frente tem personalidade, com a grade em preto brilhante e o emblema RS bem destacado. Os faróis são full LED, as rodas de 17 polegadas têm bom desenho e os retrovisores também seguem o acabamento escurecido.

Dianteira do Chevrolet Tracker RS tem grade em preto brilhante, gravatinha escurecida e faróis full LED
O teto solar panorâmico é outro ponto positivo. E aqui vale a precisão: ele é panorâmico e tem abertura. Isso faz diferença, porque alguns carros oferecem apenas teto de vidro fixo, enquanto outros têm teto solar menor. No Tracker RS, a solução valoriza bem o interior.
Na traseira, a Chevrolet manteve a mesma lógica visual. As lanternas escurecidas e o acabamento inferior do para-choque ajudam a reforçar a proposta esportiva. O ponto menos empolgante fica para o freio a tambor nas rodas traseiras, algo que sempre chama atenção em um carro dessa faixa de preço e proposta.

A traseira do Chevrolet Tracker RS é mais conservadora, mas traz detalhes em preto brilhante para ressaltar a esportividade
O porta-malas tem 393 litros. É um volume honesto para um SUV compacto e atende bem ao uso familiar, compras de mercado e viagens curtas. Não é gigantesco, mas está dentro do esperado para a categoria.
O interior é o ponto em que o Tracker RS mais divide opiniões. A ideia de usar detalhes vermelhos para reforçar a versão esportiva faz sentido, mas a execução, para mim, passou do ponto.
Há vermelho demais na cabine. O contraste aparece em várias áreas e acaba deixando o ambiente visualmente carregado. Eu prefiro a solução mais escurecida, com apenas costuras ou detalhes pontuais em vermelho. Esse tipo de acabamento seria mais elegante e combinaria melhor com o posicionamento do carro.

Bancos dianteiros do Chevrolet Tracker RS reforçam a proposta esportiva com acabamento em preto e vermelho
Em equipamentos, o Tracker RS traz painel de instrumentos digital, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, Wi-Fi nativo mediante pacote de dados, ar-condicionado digital, carregador de celular por indução e retrovisor interno eletrocrômico.

Chevrolet Tracker RS traz painel digital, central multimídia e acabamento interno com detalhes em vermelho
A câmera de ré tem boa qualidade de imagem e linhas dinâmicas que acompanham o movimento do volante. É um item simples, mas bem resolvido. A multimídia também funciona bem e o Wi-Fi nativo continua sendo um diferencial interessante da Chevrolet.

Câmera de ré do Chevrolet Tracker RS tem boa qualidade de imagem e linhas dinâmicas para auxiliar manobras
O freio de estacionamento ainda é manual. Em um carro próximo de R$ 180 mil, isso pesa contra. Não é apenas uma questão estética ou de modernidade. Um freio eletrônico permitiria oferecer auto hold, recurso muito útil no trânsito urbano.
O câmbio automático de seis marchas tem uma função L que permite limitar a marcha máxima usada pelo carro. Dá para selecionar, por exemplo, que ele vá no máximo até a terceira marcha. Isso pode ser útil em descidas, manobras ou situações em que o motorista quer mais controle sobre o funcionamento do câmbio.
Ainda assim, o conjunto poderia ter uma solução mais moderna de comando manual, seja por borboletas atrás do volante ou por uma lógica mais intuitiva de seleção.
No banco traseiro, o Tracker RS oferece bom espaço. Consigo me acomodar bem, com bom espaço para pernas e para cabeça, com meus 1,74 m. Nesse ponto, ele segue sendo um SUV compacto competente para quem leva passageiros com frequência.

Banco traseiro do Chevrolet Tracker RS oferece bom espaço interno, mas não traz saída de ar-condicionado
O acabamento, porém, cai em relação à dianteira. Atrás, o plástico domina o ambiente e a cabine perde parte da proposta visual mais caprichada da frente. Também faz falta uma saída de ar-condicionado para os ocupantes traseiros.
O Tracker RS usa motor 1.2 turbo de três cilindros, com injeção direta. São 141 cv e 22,9 kgfm de torque, sempre com câmbio automático de seis marchas.

Chevrolet Tracker RS usa motor 1.2 turbo de três cilindros com 141 cv e câmbio automático de seis marchas
No uso urbano, eu não senti falta de potência ou torque. O motor responde bem, o câmbio trabalha de forma inteligente e o carro consegue aproveitar bem a faixa útil do conjunto. Em ultrapassagens, retomadas e subidas, basta uma redução de marcha para o motor entrar na rotação correta e entregar a força necessária.
Esse acerto do câmbio é um dos pontos positivos do Tracker. Em velocidade constante, ele procura marchas mais altas para reduzir rotação e melhorar consumo. Quando o motorista exige mais, reduz sem demora excessiva.
A correia banhada a óleo, que gerou muita discussão nos motores turbo da Chevrolet, também merece comentário. A marca mudou o fornecedor e passou a usar uma correia Dayco com nova composição, incluindo fibra de vidro e revestimento em Teflon pensado para aumentar a resistência ao contato com óleo.
A promessa é melhorar a durabilidade e reduzir o risco de problemas. Mas isso é algo que só o tempo vai confirmar. Já há alguns meses de uso dos carros com o componente atualizado, mas a resposta definitiva virá com quilometragem maior e mais anos de uso.
Na minha avaliação, o Tracker RS fez 9,4 km/l no uso urbano e 11,2 km/l em rodovia com gasolina no tanque. Não são números ruins, mas também não empolgam.
Acredito que seria possível conseguir médias melhores em um teste mais longo. Mesmo assim, para um SUV compacto 1.2 turbo, eu esperava um resultado um pouco menor, especialmente na estrada.
O ponto que mais me surpreendeu no Tracker RS foi o acerto dinâmico. A suspensão é mais firme, mas sem transformar o carro em algo desconfortável. A direção tem boa resposta e o conjunto de freios transmite segurança.
Essa combinação dá ao Tracker uma sensação de carro mais bem acertado do que eu esperava. Ao volante, ele passa uma impressão mais sólida e até mais refinada do que a primeira leitura visual pode sugerir.
É um carro que agrada no uso diário. Ele tem tamanho fácil para cidade, responde bem, não parece pesado e transmite confiança em curvas, frenagens e mudanças de direção.
O maior problema está no pacote de assistências. Para quase R$ 180 mil, o Tracker RS deveria oferecer mais.
Ele traz frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal e sensor de ponto cego. São recursos importantes, mas o pacote fica curto diante do preço. Faltam piloto automático adaptativo e assistente de permanência em faixa, itens cada vez mais comuns em rivais ou em carros de valor semelhante.
O Chevrolet Tracker RS é um SUV compacto melhor de guiar do que parece. O motor 1.2 turbo trabalha bem com o câmbio automático, a suspensão tem ótimo acerto e o carro entrega uma experiência agradável no uso urbano e rodoviário.
Também gosto do visual externo. A proposta RS funciona melhor por fora do que por dentro, onde o excesso de vermelho pesa. O espaço traseiro é bom, o porta-malas atende bem e a lista de equipamentos tem pontos positivos, como Wi-Fi nativo, teto solar panorâmico com abertura, câmera de ré de boa qualidade e carregador por indução.
Mas o preço… por quase R$ 180 mil, eu espero freio de estacionamento eletrônico, auto hold, saída de ar traseira e um pacote ADAS mais completo. Principalmente ACC e permanência em faixa.
No fim, o Tracker RS é um bom carro, mas não é uma compra óbvia. Ele agrada mais ao volante do que na lista de equipamentos. Para quem valoriza dirigibilidade, tamanho compacto e visual mais esportivo, faz sentido entrar na lista. Para quem busca o pacote mais completo possível nessa faixa de preço, ele fica devendo.
Fonte do Artigo
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