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Um tribunal de apelação do Arizona anulou a sentença imposta a Gabriel Paul Horcasitas e ordenou que ele seja novamente sentenciado após concluir que um vídeo criado por inteligência artificial com uma representação do morto Christopher Pelkey foi exibido indevidamente durante a audiência de fixação da pena, informou a BBC.
Horcasitas, 55, havia sido condenado por um júri por atirar e matar Christopher Pelkey, 37, em 2021, durante uma confrontação em um semáforo. Na sentença anterior, ele recebeu 10 anos de prisão.
A família de Pelkey produziu um clipe em que uma versão gerada por IA aparece falando em nome do homem morto. Segundo a BBC, a irmã de Pelkey, Stacey Wales, disse no ano passado que foram usadas gravações de voz, vídeos e fotos para recriar a voz e a imagem dele.
Trechos do vídeo, reproduzidos no tribunal, incluíam declarações traduzidas pela reportagem como: “Ao Gabriel Horcasitas, o homem que atirou em mim, é uma pena que nos tenhamos encontrado naquele dia nessas circunstâncias” e “Em outra vida, provavelmente poderíamos ter sido amigos”; e também: “Acredito no perdão, e em um Deus que perdoa. Sempre acreditei e ainda acredito”.
O tribunal de apelação afirmou que o clipe gerado por IA “ultrapassou essa linha” e escreveu que, em vez de documentar um evento ou registrar um momento particular, o vídeo apresentava “uma representação da vítima e de seus pensamentos criada a partir das imaginações da irmã da vítima”, segundo a BBC.
Com base nesse entendimento, a corte decidiu que a exibição do vídeo na audiência de sentença foi inadequada e determinou a realização de um novo procedimento para fixar a pena.
O advogado de defesa que abriu o recurso, Kristen Reller, optou por não comentar, informou a reportagem. A advogada que atua pelos interesses das vítimas, Jessica Gattuso, não respondeu a pedido de comentário, acrescentou a BBC.
No momento da primeira audiência de sentença, o juiz que presidiu o caso, Todd Lang, havia expressado apreciação pelo uso da tecnologia, dizendo: “Eu amei aquela IA, obrigado por isso. Apesar da sua raiva, por mais justificável que seja a raiva da família, eu ouvi o perdão” (tradução da declaração publicada pela BBC).
A reportagem da BBC sobre a decisão foi publicada em 7 de maio de 2025.