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Barriga estufada, gases, fadiga constante, alterações de humor, acne e dificuldade para perder peso. Nos últimos meses, a palavra “disbiose” passou a aparecer com frequência nas redes sociais como uma possível explicação para esses e outros sintomas. O problema é que o autodiagnóstico pode atrasar a identificação da verdadeira causa do desconforto e até levar ao uso inadequado de suplementos e dietas restritivas.
Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, plataforma de saúde personalizada que realiza acompanhamento nutricional, explica que a microbiota intestinal realmente exerce papel importante na saúde, mas alerta que nem todo sintoma digestivo está relacionado à disbiose.
“É comum que muitas pessoas associem inchaço ou alterações intestinais à disbiose porque se identificaram com conteúdos publicados nas redes sociais. O problema é que esses sintomas podem ter inúmeras causas. Nem todo desconforto está relacionado à microbiota e nem toda microbiota diferente representa uma doença”, afirma.
A disbiose é um desequilíbrio da microbiota intestinal, conjunto de trilhões de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, que vivem naturalmente no intestino e desempenham funções importantes para a digestão, a imunidade e a saúde do organismo.
Alimentação, estresse, medicamentos, qualidade do sono e hábitos de vida podem alterar esse equilíbrio ao longo do tempo. Por isso, segundo a especialista, não é possível concluir que uma pessoa tenha disbiose apenas pela presença de sintomas, sem uma avaliação individualizada.
Outro risco é iniciar tratamentos por conta própria. “Há pessoas que começam dietas muito restritivas ou utilizam probióticos sem orientação profissional, acreditando que isso resolverá o problema. Em alguns casos, essa decisão pode atrasar o diagnóstico da verdadeira causa dos sintomas”, alerta Bruna Makluf.
Desconfortos digestivos ocasionais são comuns. No entanto, quando os sintomas persistem por semanas ou passam a interferir na qualidade de vida, a recomendação é procurar avaliação profissional. Segundo Bruna Makluf, é importante investigar o quadro principalmente quando ele vem acompanhado de perda de peso sem explicação, dores frequentes ou alterações persistentes do funcionamento intestinal.
“Também é importante observar quando o desconforto passa a limitar a rotina. Se a pessoa evita determinados alimentos por medo, convive diariamente com dor ou inchaço ou tenta diferentes tratamentos sem melhora, é hora de investigar”, alerta a nutricionista.
Alguns sinais merecem atenção:
“A investigação não acontece apenas porque existe um exame disponível. Antes de qualquer exame, é preciso entender a história clínica e avaliar cada caso individualmente”, ressalta.
Apesar da popularização dos probióticos nas redes sociais, os hábitos do dia a dia continuam sendo os principais aliados da saúde intestinal. Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fibras, associada à prática regular de atividade física, sono adequado e redução do consumo de alimentos ultraprocessados, está entre as estratégias mais recomendadas para favorecer uma microbiota saudável.
“A ideia de que existe um alimento ou suplemento capaz de resolver sozinho qualquer alteração intestinal não corresponde ao que a ciência demonstra atualmente. O intestino responde ao conjunto dos hábitos”, explica Bruna Makluf.
Segundo a nutricionista, pessoas com sintomas semelhantes podem apresentar causas completamente diferentes para o desconforto. Por isso, quando existe indicação clínica, exames complementares podem auxiliar na investigação e contribuir para uma avaliação mais individualizada.
Antes de concluir que você tem disbiose, é importante lembrar:
Por Carolina Lara
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