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Pix sem internet? Veja essa e outras novidades que o BC prepara para o próximo ano

Pix sem internet? Veja essa e outras novidades que o BC prepara para o próximo ano

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O Pix deve ganhar novas formas de pagamento, funcionar em situações sem acesso à internet e incorporar novos mecanismos contra golpes e fraudes nos próximos anos. Em relatório sobre a evolução do sistema, divulgado nesta segunda-feira (10), o Banco Central (BC) detalhou projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, embora não tenha informado quando cada novidade chegará aos usuários.

Uma das mudanças mais perceptíveis no dia a dia deve ser o avanço do Pix por aproximação para pagamentos sem internet. O BC estuda permitir que uma transação seja iniciada sem conexão do pagador. A ideia é ampliar também os dispositivos que podem ser usados: além do celular, cartões, relógios, pulseiras e outros aparelhos com tecnologia NFC poderão iniciar o pagamento. Até cartões com chip poderão ser incorporados futuramente.

Outra frente é a cobrança híbrida, que reunirá boleto e Pix no mesmo documento. Na prática, ao receber uma conta, o consumidor poderá escolher entre pagar pelo código de barras ou escanear o QR Code do Pix. A possibilidade já existe em soluções oferecidas pelo mercado, mas o BC trabalha na padronização das regras e da experiência para os usuários.

O Pix Automático também deverá ser ampliado. Entre as possibilidades estudadas estão seu uso em contas salário, pagamento parcial de cobranças, pagamentos sem periodicidade previamente definida e portabilidade das autorizações entre instituições.

Há ainda planos para facilitar o Pix internacional. O BC avalia conectar o sistema brasileiro diretamente a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países, o que poderia permitir compras e remessas internacionais com conversão para a moeda local em poucos segundos e potencial redução de tarifas. Hoje, soluções que permitem pagar com Pix no exterior são oferecidas por empresas privadas e não representam uma conexão direta do Pix com sistemas estrangeiros.

Na segurança, uma das novidades em estudo é um indicador de probabilidade de fraude, calculado pelo BC em tempo real com uso de aprendizado de máquina. A informação poderia ser enviada aos bancos para reforçar seus sistemas antifraude, embora a decisão de bloquear ou autorizar a operação continuasse sendo de cada instituição. O BC ressalta que a disponibilização do indicador ainda dependerá dos testes do modelo e de avaliação jurídica.

O BC também pretende padronizar os alertas de golpe exibidos pelos bancos antes de operações suspeitas, estabelecer critérios mínimos para identificar transações com indícios de fraude e ampliar sua capacidade de bloquear ou excluir chaves Pix problemáticas.

Pix multiplicou transações e ganhou novas funções entre 2023 e 2025

O avanço das funcionalidades acompanha uma expansão expressiva do uso. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, alta de 25,7% em um ano, movimentando mais de R$ 35 trilhões, crescimento de 33,8%. Somente em dezembro, foram 7,8 bilhões de operações, que movimentaram R$ 3,7 trilhões. O recorde diário chegou a 313,3 milhões de transações em 5 de dezembro.

Ao fim de 2025, o Pix tinha mais de 920 milhões de chaves cadastradas e era usado por 148 milhões de pessoas físicas — cerca de 86% da população adulta — e 12,8 milhões de empresas. O sistema também se consolidou nas compras: 43% das transações de 2025 foram de pessoas para empresas, ante apenas 6% em 2020.

Nesse período, a evolução das funcionalidades acelerou: em 2023, avançou a integração com o Open Finance; em 2024, o Pix Agendado recorrente tornou-se obrigatório e avançou a jornada de pagamento sem redirecionamento entre aplicativos; e em 2025, chegaram o Pix por aproximação, o Pix Automático e o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), o chamado “botão de contestação”.

Pix sem internet? Veja esse e outras novidades que o BC prepara para o próximo ano — Foto: Bruno Peres / Agência Brasil

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