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A Suprema Corte da Rússia determinou, na segunda-feira, 10, que o Yabloko, único partido registrado de oposição que se posicionava contra a ação militar do Kremlin na Ucrânia, seja excluído da cédula eleitoral da próxima eleição parlamentar marcada para 18 a 20 de setembro. A decisão ocorreu após um recurso de um partido pró-Kremlin.
Até o mês passado, a Comissão Eleitoral Central da Rússia havia autorizado inicialmente a participação do Yabloko, que levou esse nome em referência à palavra russa para “maçã”, junto com outros dez partidos. No entanto, o tribunal mais alto anulou o registro do partido, reenfatizando o controle estatal sobre o processo eleitoral e restringindo vozes dissidentes importantes no cenário político.
Fundado na década de 1990 por Grigory Yavlinsky, que ainda hoje preside seu comitê político, o Yabloko já foi uma das principais correntes liberais no parlamento russo, expressando críticas frequentes ao governo central. Entretanto, ao longo dos anos, veio perdendo representação na Duma Estatal à medida que o Kremlin intensificava seu controle sobre a política do país.
Nas eleições atuais, o Yabloko se posicionava contra o envolvimento militar da Rússia na Ucrânia, com slogans de campanha que defendiam o acordo de cessar-fogo, a diplomacia e a paz, além do objetivo de evitar uma guerra nuclear e promover uma Rússia livre do medo e das repressões políticas.
O veterano Grigory Yavlinsky classificou a decisão judicial como um impedimento ao diálogo com vozes que fazem perguntas desconfortáveis às autoridades, e afirmou que o partido pretende recorrer da medida. Ele manifestou esperança para que as autoridades considerem a demanda popular por paz, liberdade e uma vida sem medo.
Figuras da oposição russa que vivem no exílio, incluindo Yulia Navalnaya, viúva do crítico do Kremlin Alexei Navalny, e os políticos Ilya Yashin e Vladimir Kara-Murza, incentivaram os eleitores a apoiarem o Yabloko. Nas redes sociais, manifestações de apoio ao partido surgiram na forma de vídeos em que jovens exibem maçãs ou dançam ao som de músicas tradicionais russas, simbolizando solidariedade.
A Suprema Corte da Rússia anulou o registro do partido após um recurso de um partido pró-Kremlin, o que resultou em sua exclusão da cédula eleitoral para as eleições parlamentares de setembro.
O Yabloko é o único partido registrado na Rússia que se posiciona contra a ação militar do Kremlin na Ucrânia, defendendo cessar-fogo, diplomacia e prevenção de uma guerra nuclear.
O presidente do partido, Grigory Yavlinsky, declarou que pretende apelar contra a decisão e lamentou a exclusão, ressaltando que isso significa uma recusa em dialogar com vozes dissidentes.