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Boom de data centres na Austrália gera pressões por energia, água e impacto local

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Investimentos bilionários atraem empresas, mas moradores e especialistas apontam pressão sobre energia e água; governo anunciou regras para novos projetos em 2027.

A Austrália vive um rápido crescimento de data centres — instalações que abrigam servidores e infraestrutura para Services digitais e inteligência artificial — acompanhado por dúvidas sobre custos sociais e ambientais. segundo BBC com origem em Reuters, o país tem hoje 162 Centres de dados, há planos para mais 90 e um montante estimado superior a A$155bn (£80bn) em investimentos.

O fenômeno atraiu empresas pela disponibilidade de terrenos, oferta de energia renovável e estabilidade política, e foi apontado por líderes do setor como uma condição para o desenvolvimento de uma cadeia de valor local em IA. Mas moradores e especialistas alertam para ruídos, consumo de água e pressão sobre o fornecimento de energia.

O que está em jogo

Usuários de IA na Austrália somam cerca de 13,6 milhões por mês, tornando o país um dos mercados mais ativos da tecnologia, segundo BBC. Projetos previstos incluem um data Centres de até um gigawatt em western Sydney, que, se aprovado, seria um dos maiores consumidores de energia do país, e um centro já em construção em Marsden Park descrito como o maior do Hemisfério Sul, localizado a apenas 100 m de uma comunidade local.

Membros da comunidade de Lane Cove, na periferia norte de Sydney, relatam incômodo sonoro e preocupação com a proximidade de novas construções: uma moradora identificada como Lucy* diz ouvir um zumbido constante vindo de um data Centres a 350 m de sua casa. A reportagem registra que um dos projetos propostos estaria a 16 m da residência mais próxima e a 160 m de uma escola primária local.

Energia e água: estimativas e riscos

Autoridades e ONG destacam que data centres consomem grandes volumes de energia e água. A Australian Energy Market Operator alerta que a demanda energética dos Centres de dados poderia triplicar até 2030. O Climate Council aponta que, sem aumento significativo de geração renovável e armazenamento, os data centres poderiam elevar os preços de energia em Nova Gales do Sul (NSW) em até 26% até 2035.

Registros citados na reportagem indicam que algumas instalações podem usar até 40 milhões de litros de água por dia — equivalente ao consumo de cerca de 80.000 domicílios — para refrigeração. A Sydney Water informou que data centres poderiam consumir até 25% da água potável da cidade até 2035.

Organizações ambientais analisadas pela reportagem, como Greenpeace Australia Pacific, concluíram que operadores pesquisados não comprovaram adequadamente que seus projetos impulsionariam de fato a expansão de energia renovável. Em resposta ao crescimento da demanda, há casos de empresas planejando usinas a gás: a Cloud Carrier, citada na reportagem, pretende construir três usinas a gás para alimentar um data Centres existente e outros futuros.

Reações Locals e emprego

Membros da comunidade expressam frustração por falta de consulta e por possível deslocamento de empresas Locals. Rochelle Flood, vice-prefeita de Lane Cove, disse que o governo tem "estendido o tapete vermelho" para o setor e questionou se a expansão é compatível com metas de net zero e de armazenamento de água.

Proprietários de negócios na área relatam que poderão perder clientes e empregos: Felipe Tanaka, gerente de uma empresa no parque industrial onde há propostas de data centres, afirmou que não sabiam dos projetos e que "milhares de empregos serão perdidos" se houver deslocamento das empresas Locals. A reportagem também destaca que, enquanto um grande data Centres pode empregar mais de mil pessoas na construção, o quadro operacional tende a cair para cerca de 100 empregos.

Do lado das vantagens econômicas, especialistas citados defendem que os investimentos evitaram uma recessão e atraem operação e Services qualificados ao país. Belinda Dennett, CEO da Data Centres Australia, afirmou que, sem infraestrutura local, a Austrália "fica apenas como usuária" de ferramentas desenvolvidas por outros países.

Medidas anunciadas e próximos passos

Em julho, o primeiro‑ministro Anthony Albanese anunciou uma obrigação legal para que “grandes” data centres garantam fornecimento de energia, limitem o uso de água e arquem com infraestrutura adicional necessária. O governo informou que essa legislação será introduzida em 2027 e deverá valer apenas para propostas futuras, não cobrindo projetos já construídos ou em construção.

Enquanto grupos ambientais e comunidades pedem uma pausa no desenvolvimento até que regras mais rígidas sejam definidas, autoridades estaduais e representantes do setor sustentam que a expansão pode vir acompanhada de investimentos em renováveis e criar novas indústrias.

Fonte: reportagem da BBC, com origem editorial indicada como Reuters.

Observação: a reportagem da BBC indicou que alguns nomes foram alterados para proteger identidades.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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