Enter your email address below and subscribe to our newsletter

saude

Como é feita a eletroneuromiografia? Entenda as etapas e o que acontece durante o exame

Share your love

COMPARTILHAR ARTIGO

A descrição mais simples da eletroneuromiografia cabe em poucas linhas: eletrodos posicionados sobre a pele permitem estudar a condução dos nervos por meio de estímulos elétricos e, em outra etapa, um eletrodo de agulha registra a atividade elétrica de determinados músculos. O que nem sempre fica claro é que a extensão do exame pode variar de acordo com a indicação clínica e com os resultados encontrados durante sua realização.

Entender o que é medido a cada estímulo, por que a temperatura do membro interfere nos resultados e por que determinados achados levam à investigação de outros nervos ou músculos ajuda a compreender melhor como o exame funciona. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação e orientação médicas.

O exame é definido de acordo com cada caso

A eletroneuromiografia é planejada de acordo com a hipótese clínica e com as estruturas que precisam ser investigadas.

O médico considera informações como os sintomas, a região afetada e a suspeita indicada no pedido para definir quais nervos e músculos deverão ser estudados. Os resultados obtidos ao longo do procedimento também podem indicar a necessidade de ampliar ou modificar a avaliação.

Uma alteração identificada em determinado nervo, por exemplo, pode levar ao estudo de outras estruturas para ajudar a determinar a localização e a extensão do comprometimento.

A Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC) orienta, em nota técnica específica sobre a eletroneuromiografia, que o exame seja realizado com supervisão médica durante todo o procedimento e destaca a importância da qualificação adequada em Neurofisiologia Clínica.

É justamente essa necessidade de avaliação e interpretação durante a realização que faz com que dois exames chamados de eletroneuromiografia possam ter extensões diferentes.

Duas etapas que fornecem informações complementares

A eletroneuromiografia é composta essencialmente por duas etapas: o estudo da condução nervosa e a avaliação da atividade elétrica muscular com eletrodo de agulha.

No estudo de condução nervosa, eletrodos são posicionados sobre a pele e estímulos elétricos são aplicados em pontos determinados. O equipamento registra como o impulso percorre o nervo e qual resposta é produzida.

Na etapa de agulha, alguns músculos são avaliados diretamente. A escolha dessas estruturas depende da suspeita clínica e das informações obtidas durante a investigação.

As duas etapas fornecem informações diferentes e complementares. A condução nervosa permite avaliar características funcionais dos nervos, enquanto o eletrodo de agulha registra a atividade elétrica dos músculos selecionados.

O que é medido durante os estímulos

Durante o estudo de condução nervosa, diferentes parâmetros ajudam a caracterizar a resposta produzida pelo estímulo elétrico.

Entre eles estão a amplitude, relacionada ao tamanho da resposta registrada; a latência, que representa o intervalo entre o estímulo e determinada resposta; e a velocidade de condução, calculada a partir do tempo necessário para o impulso percorrer determinada distância.

A combinação dessas medidas fornece informações que auxiliam o médico a identificar diferentes padrões de comprometimento dos nervos.

Os valores, entretanto, não devem ser interpretados isoladamente. O significado de uma alteração depende do conjunto do exame, das características do paciente e da hipótese clínica investigada.

A agulha registra a atividade elétrica do músculo

Uma dúvida frequente diz respeito ao eletrodo utilizado na segunda etapa.

Apesar de ter formato de agulha, ele não funciona como uma seringa e não é utilizado para aplicar medicamentos. Sua finalidade é captar diretamente a atividade elétrica muscular.

O músculo pode ser observado tanto em repouso quanto durante movimentos ou contrações solicitados pelo médico. Por isso, a colaboração do paciente, relaxando ou contraindo determinados músculos quando solicitado, faz parte da realização do exame.

Os sinais elétricos registrados também podem ser convertidos em sons pelo equipamento, fornecendo ao médico informações adicionais durante a interpretação.

Por que a temperatura interfere na eletroneuromiografia

A temperatura do membro estudado é uma variável técnica importante nos estudos de condução nervosa.

Quando mãos, braços, pés ou pernas estão frios, determinados parâmetros podem se modificar. A redução da temperatura pode prolongar latências e diminuir a velocidade de condução, produzindo alterações que precisam ser consideradas durante a interpretação.

A American Association of Neuromuscular & Electrodiagnostic Medicine (AANEM) destaca que o controle adequado da temperatura é importante para a precisão do estudo. Segundo a entidade, temperaturas baixas podem prolongar latências, reduzir velocidades de condução e produzir artefatos capazes de interferir na interpretação dos resultados.

A entidade orienta atenção à temperatura das extremidades durante o exame e recomenda aquecimento quando os valores estiverem abaixo dos parâmetros adequados.

Por isso, a temperatura pode ser medida durante o exame e, quando necessário, o membro pode ser aquecido antes ou durante a realização.

Por que o momento do exame pode fazer diferença

Quando existe uma lesão nervosa recente, algumas alterações eletrofisiológicas podem não aparecer imediatamente.

Isso acontece porque determinadas modificações no nervo e no músculo levam algum tempo para se desenvolver e se tornar detectáveis pelas diferentes técnicas utilizadas na eletroneuromiografia.

O estudo de condução e a avaliação com eletrodo de agulha também não apresentam necessariamente a mesma evolução depois de uma lesão. Dependendo da situação clínica, determinadas informações podem ser obtidas precocemente, enquanto outras se tornam mais evidentes posteriormente.

Por isso, depois de um trauma ou de uma suspeita de lesão nervosa aguda, o momento adequado para realizar a eletroneuromiografia deve ser definido pelo médico responsável pelo caso.

Em sintomas crônicos, como formigamento ou perda de força que persistem há meses, o raciocínio pode ser diferente.

Por que a duração varia de uma pessoa para outra

O tempo necessário para realizar a eletroneuromiografia depende da extensão da investigação.

Quando a suspeita está concentrada em um território específico, pode ser necessário estudar um número menor de nervos e músculos. Quadros mais abrangentes podem exigir avaliação de diferentes regiões ou membros.

Em algumas situações, estruturas do lado sem sintomas também podem ser examinadas para fornecer parâmetros de comparação.

Além disso, um achado identificado durante o procedimento pode justificar a avaliação de outros nervos ou músculos. Portanto, um exame mais demorado não significa, por si só, que tenha sido encontrada uma doença mais grave.

Eletroneuromiografia dói?

A percepção de desconforto varia bastante entre as pessoas.

Durante o estudo de condução nervosa, são aplicados estímulos elétricos breves. A sensação é rápida e se repete conforme os nervos precisam ser avaliados.

Na etapa muscular, a introdução do eletrodo de agulha pode provocar uma fisgada e algum desconforto, especialmente durante determinadas contrações solicitadas pelo médico.

Depois do procedimento, algumas pessoas podem apresentar sensibilidade local ou pequenos hematomas nos pontos de inserção da agulha. Em geral, são manifestações transitórias.

Caso apareçam sintomas persistentes ou inesperados depois do exame, o serviço responsável ou o médico assistente deve ser informado.

O que a eletroneuromiografia consegue avaliar

A eletroneuromiografia fornece informações sobre o funcionamento de nervos periféricos, raízes nervosas, músculos e da transmissão neuromuscular em situações específicas.

Ela não é um exame de imagem. Portanto, não substitui métodos destinados a mostrar a anatomia, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

Em uma suspeita de hérnia de disco, por exemplo, a ressonância pode demonstrar alterações estruturais da coluna, enquanto a eletroneuromiografia pode contribuir para avaliar se existe repercussão funcional sobre determinadas raízes nervosas.

São métodos que respondem a perguntas diferentes e que podem ser complementares quando existe indicação médica.

O que observar antes de agendar

Antes de escolher onde realizar o procedimento, alguns critérios ajudam a avaliar o serviço. É importante verificar quem será o médico responsável, sua identificação profissional e qualificação, além de saber como o exame é conduzido e como será entregue o laudo.

A Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica recomenda que os pacientes procurem profissionais com qualificação adequada em Neurofisiologia Clínica. A regularidade do médico, suas especialidades e áreas de atuação registradas também podem ser conferidas na ferramenta pública de Busca por Médicos do Conselho Federal de Medicina.

Também é útil verificar se o serviço trabalha com diferentes métodos de avaliação neurofisiológica e dispõe de estrutura para adaptar a investigação às necessidades de cada paciente. Clínicas dedicadas à Neurofisiologia Clínica e que realizam diferentes exames de eletroneuromiografia podem concentrar em um mesmo serviço a avaliação de diferentes regiões e hipóteses diagnósticas.

Antes da data marcada, é importante seguir as orientações de preparo fornecidas pelo serviço e levar o pedido médico e outros exames que tenham sido solicitados ou possam contribuir para a avaliação.

Fontes

· Cleveland Clinic Journal of Medicine — Using and interpreting electrodiagnostic tests (nov/2020)

· Physiopedia — Nerve Conduction Study: temperatura do membro e efeito sobre velocidade e latência

· AANEM — Electrodiagnostic reference values for upper and lower limb nerve conduction studies in adult populations

COMPARTILHAR ARTIGO