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O governo etíope informou que fechou sua embaixada em Asmara e deu 48 horas para que 10 diplomatas eritreus deixassem o país, acusando-os de ações que ameaçavam a segurança nacional. Em resposta, o ministério das Relações Exteriores da Eritrea declarou que não teve opção a não ser reciprocidade e qualificou a expulsão do embaixador como "assombrosa", alertando para "correlatos negativos".
Horas antes do anúncio diplomático, relatos indicaram que explosões potentes foram ouvidas na capital etíope, Addis Ababa, inclusive perto do quartel-general militar, conforme a BBC. O governo da Etiópia acusa Eritrea de apoiar uma nova aliança rebelde formada pelo Tigray People’s Liberation Front (TPLF) e outros grupos; Asmara nega repetidamente essa acusação.
Autoridades e fontes citadas pela reportagem relatam combate em várias frentes do norte. A BBC informou que forças federais etíopes lutam contra o TPLF e aliados em Tigré, Afar e Amhara. Um médico em Alamata disse ao veículo que pelo menos 52 civis foram mortos durante três dias de intensos confrontos naquela localidade. Também há relatos de deslocamento de dezenas de milhares de pessoas no Afar.
Um comandante de milícia pró-governo afirmou à BBC que soldados eritreus participaram de combates na linha de frente; a emissora disse não ter conseguido verificar de forma independente essa alegação. A BBC também destacou que o acesso ao Tigré está comprometido, com corte da internet e dificuldades para obtenção de informações locais.
A reportagem lembra que as duas nações haviam reatado relações em 2018, abrindo a fronteira após duas décadas de hostilidades — um processo que ajudou o premiê etíope a receber o Nobel da Paz em 2019, segundo a BBC. A atual escalada é considerada a mais grave desde o fim da guerra em Tigré em 2022; um mediador da União African estimou anteriormente que cerca de 600.000 pessoas morreram durante aquele conflito.
A União African pediu que Etiópia, Eritrea e Egito exerçam contenção e resolvam diferenças por meios diplomáticos, enquanto a ONU alertou que ataques aéreos e atividade de drones estão ameaçando civis, infraestrutura vital e operações humanitárias, além de restringir a entrega de ajuda, conforme declaração do porta-voz da ONU Stéphane Dujarric citada pela BBC.
Não está confirmada de forma independente a participação de tropas eritreias nas operações militares, e as versões das partes divergem sobre quem iniciou a atual série de hostilidades: autoridades de Tigré afirmam que reagiram a uma ofensiva federal e ataques com drones, enquanto o governo federal sustenta que combatentes tigrénios atacaram após tomar aeroportos administrados pela federação na região.