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Uma semana após uma enchente catastrófica na fronteira entre Nepal e Tibete, as operações passaram a priorizar socorro, recuperação de corpos e reunificação de pessoas separadas, enquanto equipes continuam tentando alcançar possíveis sobreviventes.
Segundo a agência nepalesa de gestão de desastres, ao menos 1.114 pessoas morreram no Nepal e quase 4.000 continuam desaparecidas. No lado tibetano, a mídia estatal chinesa relata 16 mortos e mais de 500 pessoas não localizadas. Cerca de 12.000 pessoas já foram resgatadas, informou o governo do Nepal.
Quase 3.500 pessoas ficaram desabrigadas no Nepal e estão alojadas em 27 locais, principalmente escolas, nas regiões de Nuwakot e Rasuwa, segundo a reportagem. Abrigos lotados, água contaminada e estruturas de saúde danificadas aumentam o risco de doenças durante a temporada de monções, informou a agência humanitária da ONU.
O desastre também deixou centenas de estrangeiros desaparecidos, entre eles cidadãos da Índia, Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e Malásia, segundo a apuração.
Equipes de resgate trabalham na tentativa de alcançar trabalhadores possivelmente presos em túneis de hidrelétricas no Nepal — o número pode chegar a centenas, segundo a reportagem. A mídia estatal chinesa informou que houve reabertura da rota até o posto de fronteira de Gyirong e que máquinas pesadas e drones estão sendo usados nas buscas.
Autoridades chinesas e indianas também atuam na construção de pontes temporárias para melhorar o acesso a áreas remotas, mas o principal desafio permanece ser o acesso: mais de 40 pontes foram destruídas, segundo a agência humanitária da ONU. Comunidades isoladas dependem de voos de helicóptero do exército para receber suprimentos; vilarejos relatam escassez de combustível e energia elétrica.
O primeiro‑ministro Balendra Shah afirmou que o desastre “arrancou mães, pais, irmãs e irmãos de nós em um instante” e declarou prioridade na proteção dos sobreviventes, atendimento médico e aconselhamento psicológico. Shah também disse que o evento “estava além das previsões” e ressaltou os riscos crescentes na região do Himalaia ligadas às mudanças climáticas: “A mudança climática é uma contribuição global. Mitigar e gerir seus impactos é responsabilidade compartilhada da comunidade internacional”.
Relatórios citam evidências de instabilidade crescente ao redor da geleira nos dias anteriores ao colapso, e especialistas do Asian Mountain Academic Alliance, do Stimson Centre e do Institute of Mountain Hazards and Environment da China afirmaram que melhores sistemas de alerta precoce poderiam ter salvado vidas.
O governo do Nepal declarou situação de desastre em 15 áreas afetadas por três meses para fornecer auxílio financeiro às famílias das vítimas, resgatar e realocar deslocados e empregar o exército. O Nepal e a ONU concordaram em lançar um apelo humanitário de emergência com duração de quatro meses.
No lado tibetano, as informações divulgadas são limitadas e controladas pela mídia estatal chinesa; jornalista estrangeiros não têm acesso à região sem permissão, o que dificulta a verificação completa do impacto local.