Newsletter Subscribe
Enter your email address below and subscribe to our newsletter
Enter your email address below and subscribe to our newsletter







A educação municipal de Cascavel vive dias decisivos. Após uma semana marcada por negociações e impasses, os professores da rede municipal vão definir na próxima segunda-feira, em assembleia organizada pelo Ciprovel (Sindicato dos Professores Municipais de Cascavel), se entram ou não em greve.
Em entrevista concedida à CGN nesta sexta-feira (12), a secretária municipal de Educação, Gislaine Buraki, fez um alerta sobre a situação financeira do município e admitiu que a principal reivindicação da categoria — o pagamento da defasagem salarial de 20,33% em relação ao piso nacional — não poderá ser atendida neste momento.
“Nós não temos dinheiro financeiro para proporcionar isso. Hoje, para pagar os 20,33%, seria necessário cerca de R$ 78 milhões por ano e uma margem mensal de aproximadamente R$ 5 a R$ 6 milhões, e ainda não temos esse fôlego”, afirmou.
Apesar da tensão, a secretária acredita que as aulas serão mantidas nos primeiros dias da próxima semana.
“Na próxima semana, principalmente nos primeiros dias, a gente vai ter aula. A decisão ainda vai se dar por intermédio da assembleia”, disse.
Reivindicação se arrasta há 16 anos
Segundo a própria secretária, a defasagem salarial reivindicada pelos professores não é um problema recente. Ela reconheceu que a situação é resultado de reajustes abaixo dos índices nacionais ao longo de aproximadamente 16 anos.
“Esse processo vem de 2010 em diante. Tivemos períodos em que os reajustes nacionais eram de 8%, 10%, e foi dado um percentual bem inferior. É uma questão histórica”, explicou.
Mesmo reconhecendo a reivindicação, Gislaine destacou que a administração municipal precisa respeitar os limites da responsabilidade fiscal.
Prefeitura destaca reajustes e contratações
Durante a entrevista, a secretária ressaltou que a gestão do prefeito Renato Silva realizou reajustes salariais nos últimos anos e que houve avanços na contratação de profissionais para a educação.
Segundo ela, neste ano já foram anunciadas 250 novas contratações, além da convocação de mais 200 professores para reforçar as equipes da rede municipal.
“Estamos buscando equalizar todos os quadros funcionais e prevendo novas contratações para os próximos anos”, afirmou.
A administração também destaca que concedeu reajuste de 5,4% neste ano, aplicado na folha de maio.
Falta de profissionais preocupa categoria
Além da questão salarial, os professores apontam falta de profissionais, especialmente nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), além de preocupações relacionadas a medidas de contenção de gastos adotadas pelo município.
Gislaine afirmou que a Secretaria de Educação reconhece a necessidade de ampliar o quadro de servidores, mas reforçou que os processos dependem de disponibilidade financeira e de alterações legais.
“Não podemos cometer nenhum ato de irresponsabilidade fiscal. Precisamos ter equilíbrio entre contratação, valorização e capacidade financeira do município”, argumentou.
Sete reuniões e nenhum acordo
A secretária revelou que a Prefeitura realizou sete reuniões com representantes do Ciprovel desde o início do ano. Apesar do diálogo constante, não houve consenso sobre a principal pauta econômica da categoria.
“Nós temos interesse em valorizar o professor, mas precisamos olhar o aspecto administrativo. Neste momento, não temos margem financeira para atender a reivindicação dos 20,33%”, declarou.
Ela também afirmou que novas discussões poderão ocorrer após o fechamento do segundo quadrimestre, quando haverá uma avaliação mais precisa da arrecadação municipal.
Pais e alunos aguardam definição
A expectativa agora se concentra na assembleia da próxima segunda-feira. Caso a greve seja aprovada, milhares de estudantes poderão ser afetados e pais precisarão reorganizar suas rotinas.
Enquanto o sindicato avalia os próximos passos, a Prefeitura mantém a posição de que continuará aberta ao diálogo, mas sem apresentar, por enquanto, uma proposta capaz de atender à principal reivindicação dos professores.
A decisão dos educadores deverá definir os rumos da educação municipal nos próximos dias e pode marcar o início de uma das maiores mobilizações da categoria nos últimos anos em Cascavel.
Fonte do Artigo
See more: The Global Track