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O Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) protocolou nesta quinta-feira (2) representações no Ministério Público do Paraná (MPPR) e no Tribunal de Contas da União (TCU) exigindo uma investigação contra a Copel devido a prejuízos milionários causados por oscilações e quedas de energia elétrica na região rural do estado. As ações acusam a companhia de prestar um serviço precário e contestam o recente reajuste tarifário de 20,51% homologado pela Aneel, em vigor desde o fim de junho.
No distrito de Iguiporã, em Marechal Cândido Rondon, a instabilidade na rede elétrica transformou a rotina do avicultor Pedro Riffel num prejuízo em cadeia na sua propriedade. Ele perdeu mil frangos prontos para o abate em um único dia com as oscilações de energia em sua propriedade. “A quantidade da oscilação é frustrante, porque você não consegue descansar pensando se vai acontecer. A luz, a gente não tem comando”, desabafa Riffel.
Nos aviários de Riffel, que abrigam 65 mil aves a cada dois meses, os motores, exaustores e comedouros dependem da eletricidade. Se o sistema para, os frangos sufocam com o calor. O grande vilão no campo, contudo, não tem sido o apagão total, mas a variação de tensão na rede – que pode queimar equipamentos e danificar geradores.
“Temos gerador de energia, mas ele pode falhar. Quando acontece a oscilação, que é o pior, a energia vai muito para cima ou muito para baixo. O gerador lê que falta energia, demora para acionar ou queima a chave. E a gente não sabe o que fazer nessa hora. É aí que dá o prejuízo”, explica o produtor.
Recentemente, a chave do gerador de um vizinho de Pedro, que cria peixes, queimou pelo mesmo motivo, ameaçando a oxigenação dos tanques. Para quem trabalha no sistema de integração com grandes empresas, perder animais no fim do ciclo destrói a margem de ganho. “ O agricultor, no geral, está desanimado, pensando em fazer outra coisa”, lamenta Pedro, lembrando que sua conta de luz varia entre R$ 25 mil e R$ 35 mil por lote.
O impacto, segundo ele, inevitavelmente vai chegar à mesa das cidades. “Para eu tirar os R$ 10 mil do prejuízo que tive, a empresa joga o valor em cima do produto final. O povo na cidade nem vai perceber a engrenagem, mas vai pagar mais caro”.
O cenário vivido por Pedro Riffel acontece também em outras regiões do Paraná, estado que lidera a produção nacional de aves e peixes. O levantamento da FAEP mostra que as falhas da Copel têm cobrado um preço alto.
Em fevereiro, um piscicultor de Tupãssi perdeu 900 mil quilos de tilápia após os aeradores dos tanques queimarem devido às oscilações da rede. O prejuízo foi estimado em R$ 9 milhões. Em março, uma família de São Miguel do Iguaçu viu 20 mil frangos morrerem pela falta de climatização no aviário, contabilizando uma perda de R$ 150 mil.
“Há anos os produtores rurais vêm relatando prejuízos milionários causados pela ineficácia da Copel”, aponta o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Ele questiona o destino dos recursos da companhia, que fechou o ano de 2025 com um lucro líquido de R$ 2,66 bilhões. “Isso demonstra que o problema não está na falta de dinheiro, mas na ausência de investimentos direcionados ao campo”.
A reportagem da Tribuna do Paraná procurou o Ministério Público do Paraná e o Tribunal de Contas da União para saber se os órgãos vão investigar a qualidade do serviço da Copel. Os dois órgãos responderam que não localizaram os pedidos de investigação.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel), em resposta à reportagem, disse que não iria se pronunciar sobre a situação. Enquanto a concessionária se cala, os produtores seguem na insegurança e medo. Para Pedro Riffel, a sensação é de abandono por parte das autoridades. “Político só promete, ninguém cumpre nada. Sem energia, a gente não consegue produzir. Fica muito difícil trabalhar assim”, conclui.
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