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Christa Pike, condenada por um homicídio cometido em 1996, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal em Tennessee, nos Estados Unidos. Autoridades do estado afirmaram ter levado a detenta a um hospital após a aplicação de duas doses do sedativo pentobarbital; seu quadro de saúde está incerto.
O governador do estado, Bill Lee, determinou uma revisão externa do procedimento e anunciou a suspensão das execuções em Tennessee pelo restante do ano.
Pike, 50 anos, foi sentenciada à morte por seu papel no assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, crime cometido em conjunto com Tadaryl Shipp. A execução estava marcada para a noite de quarta-feira, depois que o US Supreme Court autorizou a aplicação das injeções após disputa judicial.
Peritos médicos consultados pela reportagem levantaram hipóteses. O Dr. Joel Zivot, professor da Emory University School of Medicine e perito da equipe de defesa de Pike, disse à BBC que é provável que ela nunca tenha alcançado um nível sanguíneo de pentobarbital suficiente para provocar a parada respiratória ou cardíaca. Zivot alertou ainda: “É muito possível que, como consequência do atraso no início da ressuscitação, ela venha a ter uma lesão cerebral.”
As autoridades estaduais ainda não deram uma explicação sobre por que a dosagem aplicada não foi fatal. A defesa de Pike afirmou que o pentobarbital usado estava “degradado”; o Departamento de Correções do Tennessee não respondeu especificamente a essa alegação, mas afirmou de forma mais ampla que o produto químico do protocolo “tem sido consistentemente eficaz”.
May Martinez, mãe de Colleen Slemmer, disse à NBC News que os eventos foram “uma bagunça”. Grupos contrários à pena de morte reagiram com críticas; Maya Foa, diretora-executiva da organização legal Reprieve, afirmou: “Não podemos saber exatamente o que deu errado, porque tanta coisa aconteceu por trás de uma cortina — a injeção letal depende da secretividade em cada etapa, para esconder a violência do Estado ao tirar uma vida humana.”
O pentobarbital é um sedativo potente usado em altas doses para execuções por injeção letal. Um exame federal dos EUA realizado sob a administração de Joe Biden levantou preocupações sobre o potencial da droga causar "dor e sofrimento desnecessários"; o Governor federal proibiu seu uso em execuções federais, mas essa decisão não vincula estados como Tennessee.
Nos últimos anos, estados norte-americanos têm enfrentado dificuldades para obter os medicamentos usados em injeções letais, já que fabricantes restrinjam ou cessem a produção para esse fim. A BBC citou especialistas que dizem ser incerto “a qualidade e a eficácia” do fármaco usado em Pike, dado esse contexto de escassez e restrições de fabricantes.
Casos anteriores de execuções problemáticas também foram mencionados: em maio de 2026 a execução de Tony Carruthers em Tennessee foi adiada depois que funcionários não conseguiram localizar uma veia para administrar a injeção; Carruthers recebeu um adiamento de um ano do governador Bill Lee. Organizações como o Death Penalty Information Center registraram que, em 2022, mais de um terço das execuções nos EUA foram consideradas mal sucedidas ou altamente problemáticas. A execução de Clayton Lockett em Oklahoma, em 2014, foi citada como episódio notório em que a injeção falhou e o procedimento foi interrompido após sinais de sofrimento.
O governador Bill Lee ordenou uma revisão por terceiros sobre o ocorrido e determinou a suspensão das execuções no Tennessee pelo restante do ano. As autoridades estaduais ainda não informaram se haverá nova tentativa de execução contra Pike caso ela recupere a consciência.
O caso permanece sujeito à investigação solicitada pelo Governor do estado, e as informações disponíveis até o momento são as relatadas pela BBC e por agências citadas na apuração.