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A Guarda Municipal (GM) de Londrina enviou à Justiça, em 1º de setembro, gravações de câmera corporal relacionadas à morte do adolescente Murilo Dias, de 15 anos. segundo G1l entregue, as imagens começam depois que a perseguição terminou: o pai da vítima já havia sido encaminhado à delegacia e Murilo já estava morto quando a filmagem tem início.
As imagens encaminhadas pela corporação registram a movimentação de autoridades e testemunhas ao redor do carro de Volmir Dias, que bateu contra um poste ao final da perseguição. No momento em que a gravação começa, a reportagem do g1 relata que o pai já estava na delegacia da Polícia Civil (PC-PR) e Murilo já havia sido socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Um guarda que carregava a câmera aparece relatando brevemente a um policial penal o que havia ocorrido, mas não descreve como ocorreu a morte do adolescente. A gravação foi interrompida depois que o agente anotou os nomes dos profissionais que prestavam atendimento no local. A GM não detalhou se as imagens entregues sejam de mais de um agente nem identificou os ocupantes das câmeras.
Segundo relatório divulgado pela Guarda Municipal, a ocorrência começou em 31 de julho, após um disparo dado por Volmir em uma pizzaria. A GM afirma que, quando o pai se entregou, o passageiro (Murilo) resistiu e, “segundo relato da equipe, tentou sacar uma arma de fogo da cintura. Diante da ameaça iminente, um guarda municipal efetuou disparo de arma de fogo.”
Volmir, em depoimento na delegacia, confirmou ter atirado para o alto na pizzaria e disse que derrubou a arma no veículo e que o filho não a teria pegado. A defesa do pai, por sua vez, sustenta que Murilo teve uma crise de epilepsia e não teria alcançado o revólver.
Murilo foi atendido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu, mas morreu no local. O corpo foi encaminhado à Polícia Científica. Volmir foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo, conduzir veículo sob influência de álcool e desobediência; um revólver com seis munições intactas e uma deflagrada foi apreendido. Em audiência de custódia, ele recebeu liberdade provisória em 1º de agosto, sob uso de tornozeleira eletrônica.
A defesa de Volmir solicitou à Justiça que peça à GM os vídeos na íntegra, sem cortes ou edições, e informações técnicas sobre as gravações, como identificação dos equipamentos, quais agentes portavam cada câmera, horários de ativação e metadados. Em manifestação, a defesa afirmou que a resposta administrativa “não individualiza os equipamentos utilizados, não identifica quais agentes portavam cada câmera, não informa horários de retirada, ativação, interrupção e devolução dos equipamentos, não esclarece se houve gravações adicionais, não apresenta metadados ou logs e tampouco oferece justificativa técnica para eventual inexistência de imagens do momento central dos fatos.”
Até a última atualização da reportagem, a Justiça não havia se manifestado sobre essa solicitação e a Guarda Municipal não havia retornado ao g1 pedido de explicação para a ausência de registros do momento central da abordagem. Os nomes dos guardas envolvidos não foram divulgados, o processo corre sob sigilo e, segundo declaração anterior do comandante da corporação, tenente-coronel Ricardo Eguedis, os agentes estão afastados enquanto a Corregedoria-Geral do Município apura o caso.
Próximos passos: permanece a expectativa pela decisão da Justiça sobre o pedido de acesso às imagens integrais e pela conclusão das apurações administrativas e judiciais citadas nas investigações.