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Pacientes relatam pânico e interrupção de terapias após suspeita de suposta fraude com medicamentos oncológicos

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Polícia investiga empresários, médicos, advogados e servidores por suspeita de falsificação e supostas fraudes na compra e distribuição de remédios; lote com inconsistências foi suspenso

Pacientes com câncer e familiares relatam pânico, interrupções de tratamento e agravamento do quadro de saúde após a identificação de suspeitas de irregularidades em medicamentos oncológicos, segundo G1. A polícia apura um esquema que envolveria empresários, médicos, advogados e servidores públicos em supostas fraudes na compra e distribuição de remédios.

As suspeitas vieram à tona quando funcionários do setor oncológico da Santa Casa de São Gabriel (Rio Grande do Sul) identificaram inconsistências em um lote de medicamentos, o que levou à suspensão da distribuição desse lote, conforme a investigação.

Relatos de pacientes e famílias

Depoimentos reunidos pela investigação descrevem medo e incerteza entre quem fazia tratamento. Uma paciente afirmou: “Eu fiquei em pânico e fiquei desesperada achando que eu ia morrer no dia seguinte”. Outra disse: “Pensei que agora estou numa contagem regressiva. Para que exatamente? Para morrer”.

O caso de Maria Jupira, que tratava câncer de pulmão, foi citado na investigação: familiares relatam que o medicamento necessário não estava disponível pelo SUS e precisaram recorrer à Justiça. Após a apreensão do lote suspeito, ela ficou cerca de dois meses sem a medicação adequada e, segundo as filhas, o estado de saúde se agravou; a paciente morreu aos 57 anos. A família afirma não saber se ela chegou a receber medicamentos sob suspeita antes da identificação das supostas irregularidades.

Outra paciente citada, Mara Rodrigues, Relatos que obteve autorização judicial para medicamentos, mas que o tratamento não apresentou os resultados esperados e que meses depois ainda aguardava encaminhamentos para continuidade da terapia. Ela convive com dores intensas e faz uso frequente de morfina: "Essa noite mesmo acordei às 2h30 e só fui dormir às 5h", disse à reportagem.

Casos graves e alcance das suspeitas

Investigadores citaram ainda o caso de uma menina de 12 anos com neuroblastoma cujo tratamento foi afetado por supostas irregularidades na entrega das medicações contratadas pelo poder público; parte do medicamento previsto não foi fornecida e a criança morreu em fevereiro, segundo G1.

Há relatos de pacientes que teriam recebido medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de remédios importados de outros países entregues sem garantia de corresponder aos produtos determinados em decisões judiciais, conforme a investigação.

O que a investigação apura

A polícia investiga possíveis crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade processual e supostas irregularidades na comercialização de medicamentos. Remédios apreendidos estão sendo analisados para verificar se houve falsificação, segundo o G1. As apurações apontam atuação em diferentes estados, conforme as investigações em andamento.

Reações de familiares

Familiares e pacientes manifestaram indignação e revolta diante da possibilidade de terem recebido produtos irregulares após confiar em profissionais de saúde e no sistema de fornecimento. Em depoimentos à reportagem, parentes definiram a situação como desumana e defenderam que os responsáveis respondam pelos prejuízos causados.

As investigações seguem em andamento, e as autoridades continuam analisando documentos, depoimentos e os materiais apreendidos para esclarecer o alcance das supostas irregularidades relatadas.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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