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Ataques de drones atribuídos à Rússia têm provocado evacuações em massa, atrasos prolongados e medo entre passageiros de trens na Ucrânia, segundo relatos e dados da operadora ferroviária estatal Ukrzaliznytsia publicados pela BBC.
Em setembro, 5.831 trens precisaram ser evacuados, disse a empresa à AFP — uma média de 205 trens interrompidos por dia — enquanto a frequência e a precisão das ações contra material ferroviário e estações aumentaram neste ano.
Em outro caso, Anastasiia Ryvbalchenko, 17, disse ter deixado um trem às 4h durante um trecho entre Odesa e Kirovohrad e, enquanto esperavam no escuro, um drone atingiu uma área próxima: “Houve uma explosão extremamente alta e todo mundo começou a correr para a mata”, e afirmou que não pretende mais viajar de trem.
Segundo números divulgados pela Ukrzaliznytsia, 521 locomotivas foram atingidas desde o início da invasão em grande escala; quase 60% desses danos ocorreram neste ano. O total de ataques a instalações ferroviárias subiu de 1.206 em 2025 para 1.700 até agora neste ano, de acordo com a empresa.
Oleksandr Pertsovskyi, chefe da Ukrzaliznytsia, disse à reportagem que a prioridade agora é a segurança de passageiros e tripulações: “Mas agora a vida de nossos passageiros e tripulantes é a prioridade máxima”. Ele descreveu a atual onda de ataques como “extremamente intensa” e afirmou que o inimigo combina a força letal dos drones shahed com precisão obtida por câmeras e redes para atingir alvos em movimento.
Pertsovskyi afirmou ainda que alguns drones recentes estariam equipados com ferramentas de IA e reconhecimento de imagem, e comentou que os métodos eletrônicos para interromper a conectividade das aeronaves estão entre as respostas usadas, mas que isso é “sempre um jogo de gato e rato”.
A equipe de monitoramento da Ukrzaliznytsia, em um bunker apelidado de “Iron Command Centre”, acompanha ameaças em tempo real; em painéis, cada drone aparece com um círculo de 100 km, e trens dentro desse raio são evacuados até a aeronave se afastar.
A empresa reportou oito funcionários mortos em 2026, seis deles quando um míssil balístico atingiu um depósito de locomotivas em Kyiv. Apesar das baixas, a Ukrzaliznytsia tem buscado adaptar-se: preparando pacotes de evacuação para o inverno, abrigos móveis e serviços de ônibus, em coordenação com doadores internacionais, para responder a evacuações frequentes quando as temperaturas caírem.
Posição russa: o Ministério da Defesa da Rússia nega visar civis e afirma que seus ataques a ferrovias miram infraestrutura usada para transporte de pessoal e equipamento militar.
Os dados, relatos de passageiros e as declarações de gestores ferroviários foram relatados pela BBC com base em informações da Ukrzaliznytsia e entrevistas conduzidas pela reportagem.